terça-feira, 23 de maio de 2017

Felicidade



24 de maio de 1998. Nasci. Era primavera. A minha mãe diz que estava a chover nesse dia. Acho que faz todo o sentido estar a chover.

Eu sempre gostei de chuva, acho-a de certa forma purificante. Se como quando estou à chuva todos os meus pecados deslizassem por mim como areia pelas mãos de uma criança.


Mas hoje não chove.



24 de Maio de 2017. Continua a ser primavera. Estão 30 graus lá fora e se o amanhã não existir, que o hoje seja um festão do caralho.

Porque o agora não é mais garantido que o amanhã e o ontem já passou. É assim, efémero, o momento que passa e não nos diz nada. Inútil, o momento que não nos deixa um sabor na boca e um peso no coração.

Portanto sentirei a energia do momento, de todos os luminosos prazeres intrínsecos a cada lugar único exposto à quarta dimensão.

Viverei com emoção todo o momento emotivo a que serei é exposto não deixando pingas no final do copo ou suave beijo por dar.

Dar-me-ei por completo ou não de todo. Abrir me hei a quem quiser, corpo e alma.

Fumar, beber, foder, gritar, beijar, sei lá, mas farei.

Eu farei. Hoje não quero deprimências. Hoje podia queixar-me mais uma vez de como não tenho um corpo para me aquecer a cama a noite, ou de como em última análise a vida passa e significa zero, mas não. Hoje não quero chorar. Hoje sou feliz, amanhã logo se vê.

Alguém me disse uma vez "faz da vida o teu palco, e para ti, um eterno aplauso".

"E se inventassemos o mar de volta?"

Porque no final, como alguém me disse uma vez: "até é uma boa vida, André Ginja."







"Please, remember me. Happily"





segunda-feira, 10 de abril de 2017

Espero amar

É difícil dizer "eu amo-te". São palavras fortes que significam muitas coisas: são assustadoras, mas catárticas; são fortes, mas libertadoras; são ásperas e no entanto, tão suaves.
Eu sempre fui sentimentalista, sempre acreditei que essas três palavras só deviam ser ditas com sentimento. Não o vulgar "eu amo-te", mas a súbita realização "... eu amo-te". Essa realização é das coisas mais intensas que se pode experienciar.
Pensando em todas as vezes que o disse com sentimento apercebo-me que no momento em que o disse, não houve intervalos, hesitações ou pausas, apenas uma frase dita que, tal como um sonho, não sei de onde veio, apenas caiu alí, instintivamente.
De todas as vezes em que me disseram essa frase, eu sabia, no fundo da minha mente, que tinha que fazer uma decisão numa fração de segundo, dizer de volta ou não dizer de volta. E de todas as vezes em que senti algo, não demorei uma fração de segundo a responder, pois quando me apercebi ja o tinha dito: "também te amo", e essa instantaneidade quase primitiva é algo que vou guardar sempre nas minhas memórias, porque senti algo maior que eu, algo que me levou a responder aquilo que queria dizer, mas sem eu me aperceber.
Sentia todos os significados da palavra amor e da expressão "amo-te", pois não significa só "quero-te", significa também "quero que estejas comigo e para mim". "quero que me queiras", "quero que me apoies" e muitos outros, mas é também uma promessa de reciprocidade de todas as coisas que se pretende da outra pessoa, ou seja, quando dizes amo-te, tens que estar disposto a dar tudo aquilo que esperas da outra pessoa. E era isso que era o amor.
Não sei porque é que os Foreigner disseram tantas vezes que queriam saber o que era o amor, quando a resposta estava mesmo à frente deles. A resposta era muito simples, o amor foi o que os influenciou a escrever a música, o amor é o que nos movia, que movia as montanhas e mantinha os rios em curso. É o que faz a minha vida valer a pena, amor. Amor que sinto por todas as pessoas que amo, que alguma vez amei e que algum dia vou amar. Essa forma de ver as coisas era algo que fazia de mim... mim (se isto fizer algum sentido).




"Tell them, I've been licking coconut skins, and we've been hanging out. Tell them, God just dropped by to forgive our sins, and relieve us our doubt"












Então olho para mim a ficar um pouco mais triste todos os dias, pois sinto que o "poeta" romântico que existia em mim está a morrer aos poucos ou hibernado. A minha vida cada vez menos se governa pelas emoções e sentimentos, as emoções são apenas uma forma do corpo reagir e proteger-se do ambiente que o rodeia e o amor é uma descarga de hormonas, dopamina e oxitocina no cérebro.
Estou a ficar mais e mais niilista a cada dia que passa, e isso assusta-me porque eu não estou habituado a não querer saber de nada. Toda a vida tive algo com que me preocupar e agora todas as pessoas que eu amava e todas as coisas que me preocupavam estão longe de mim.
Aos poucos estou a deixar de sentir. Eu não quero deixar de sentir. Eu não me sinto vivo se não sentir nada. Espero acordar depressa. Espero amar.

A
M
O

T
E









terça-feira, 7 de março de 2017

Epifania

Não tenho escrito ultimamente. Não sei porque. Simplesmente falta me tudo, assunto, tempo, vontade... Já o grande Saramago dizia:
“Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada a dizer”.

Então penso que estou a cometer um crime agora mesmo, porque eu estou simplesmente a deambular, estilo pseudo-Cesário Verde.
Mas estes momentos de deambulação são bons para olhar para mim próprio e pensar no que se vai passando na minha vida: SPOILER ALERT: não é muito.

Posso dizer que a minha vida ficou muito estranha desde as ultimas vezes em que escrevi aqui. Quase 180º.
Perdi toda a fé em tudo o que tinha fé. O meu hino é José Régio:
"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!"
Perdi a fé nos meus sonhos, no amor, em tudo que pensava inabalável e que me faziam quem eu sou.
Sinto-me perdido num mundo muito maior que eu e que nada me deve.
Eu tinha milhares de sonhos, e julgava que tinha a certeza que os ia cumprir. Os hospícios estão cheios de gente com certezas, e eu, já não as tenho. É talvez mais uma coisa que perdi.
Mantenho a minha inocência, e o meu amor pelas pessoas, mantenho a minha saudade e o meu amor pelos meus amigos e não muito mais.
Daqui a duas horas vou levantar-me para mais um dia avarento numa das cidades mais bonitas do mundo, vou ter aulas para um curso que aposto me vai dar mais perguntas que respostas no futuro.

Tudo para encontrar o objectivo máximo da existência humana, a felicidade. (Yey ja tenho tema para outro texto).

Por enquanto penso em Pessoa:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

E fico por aquí, sem conclusão certa, um poema sem moral, uma piada sem punchline, poderá ser talvez algo que te relacione um pouco mais comigo, talvez tenha mudado a minha vida sem o saber, ou a tua, talvez todo este texto tenha sido uma bela perda de tempo, do meu, do teu e quem o ler, mas foi bela. Talvez a beleza das coisas às vezes não esteja no significado que têm, mas sim no gosto que nos dá. Talvez eu comece a pensar nisso. Até lá, sonho sem certezas, cito Pessoa ao vento, e canto baixinho José Régio no metro, vou acabar de escrever a letra do Traçadinho naquela mesa lá na Universidade, deambularei.

Porque essa sim é a parte mais bonita da vida, quando as coisas que fazemos, por mais loucas, estúpidas ou estranhas que sejam, fazemos por gosto.


"Não sei por onde vou, Não sei para onde vou! Sei que não vou por aí!"



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tangerine Skinned Bastard

How does Donald
The racist, narrow- minded millionare, bald sexist mogul,
Campaigning on a whim,
Wins the race and destroys what's left of the U.S reputation

WELCOME FOLKS TO THE TRUMP ADMINISTRATION!

He is the leader of the most influent government,
Why did you chose to burn instead of the Bern over him?
"You're fired", he said while trying to get on his daughter and dropping his pants and the bombs,
(Incest)

The world gave their response...

STEP DOWN TRUMP YOU FAT MOTHERF-!!!!






                                         
                                                                                          The Original Cast of Hamilton- The Adams Administration







sábado, 10 de setembro de 2016

Tilia, trevo e betão

A modes que hoje tive a certeza que a minha vida vai mudar. Vejo toda a gente feliz à minha volta, e não me levem a mal eu também estou a rebentar de felicidade pela mudança... mas bem... estou e não estou.
Sempre adorei mudança em tudo o que pudesse mudar, mas tenho que admitir que não consigo deixar de sentir aquele frio na barriga e aquela estranheza na previsão do que vai acontecer.

Vou para a cidade

Sou um rapaz do campo, cresci entre galinhas e perus ("píruns" se vierem donde venho). Subi às árvores e esfolei os joelhos a jogar à bola num campo que só podia ser equiparado a um campo de batatas. Aprendi os animais e as plantas que havia no quintal da minha avó (apesar de até à pouco tempo não ser capaz de distinguir salsa e hortelã... hei sou do campo, mas não era o cozinheiro...). Descobria atalhos até casa pelos quintais dos vizinhos, distingo o pombo da rola e o melro da cotovia, tomava banho nos tanques, tive um grilo de estimação, incomodava o bicho-da-conta só para o ver enrolar-se, acho que "aventar" é uma das palavras mais bonitas do mundo, e enquanto escrevo esta frase o galo do meu vizinho anuncia a madrugada a quem o ouvir.





Agora vou ter uma volta de 180º








Vou para a cidade grande, trocar os galos pelas buzinas, o silêncio pelo caos, as árvores pelos arranha-céus, as açordas pelas refeições rápidas e os atalhos dos quintais pelos horários do comboio.

Trocar este sossego pelo escabeche da cidade

A cidade é tão grande, e eu tão pequeno...

Mas talvez isso funcione a meu favor. Ser pequeno, pequeno como o grilo na minha gaiola. Nunca lhe dei um nome. Talvez eu na cidade possa ser mesmo isso, sem nome. Desconhecido, incógnito, um. Posso aprender a ser, sem ser. A existir, numa existência passiva-agressiva, em que me atiro de cabeça ao mundo, mas sem ser mais do que o que sou.

Talvez um dia a cidade me engula. Ande arredio. Talvez quando voltar ao campo já não conheça o alecrim. Talvez me torne cidadão.

Mas como dizemos aqui no meu belo Alentejo "tenho que m'àguentar com esta moenga"

Tenho medo de me afogar na confusão, sim estou assustado.

Mas vou fazer o melhor que faço sempre, sorrir à mudança...

E adaptar-me. Porra.





sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Calma da Loucura



Vou escapando. Escapando da mente aos poucos. Mas já chego a essa parte.
Agora tenho a dizer que é desta. É desta que eu enlouqueço de vez.
O mundo desliza aos poucos lá fora, e eu escapo aos poucos cá dentro.
A capa do meu CD preferido está meio partida por causa do uso.
A música é um atrofiado de cordas e violinos e palavras sem sentido.         
                                                                                                             

                                                                                "fuckify everything"


 Os quadros e desenhos do meu quarto dizem me mais que as fotografias emolduradas.
As guitarras estão afinadas em afinações atonais.
As minhas notas estão em todo o lado. Durmo com o bloco debaixo da almofada.
Nunca se sabe o que vai aparecer em sonhos. 


Spoiler Alert: és sempre TU



Todo o processo de fugir da mente tem repercussões. Especialmente na imagem. Mudanças drásticas, no penteado, na roupa. Nota-se na sede de contacto e na sede de fazer. Fazer coisas. Todo o tipo de coisas que possa exteriorizar a fuga do que está cá dentro.





A mente precisa de escapar. Para longe, dentro de si própria.
Para o fundo de si própria. Escapar para as coisas sem sentido,
para as coisas que não necessitem muito trabalho da mente:

Falo do escapismo para a escrita, para os sonhos, para a tinta, para a música, para o amor e para tudo o que faz a mente deixar de funcionar. E faz trabalhar o coração.


E l e S  c H a M a M - l H e  A r T e . . . eu chamo-lhe fuga





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bloqueio

Tenho o meu computador ligado à minha frente na secretária e de fundo dá a música que escolhi para me "inspirar". Está quase tudo pronto. Tenho a temperatura adequada e tenho a certeza que ninguém me vai chatear.
Está tudo pronto para uma sessão de escrita. Se calhar é hoje! Se calhar é hoje que escrevo o meu magnum opus!
Tenho a cabeça a mil. Não escrevo nada de jeito à tanto tempo. Hoje vou fazer uma coisa de que fique mesmo orgulhoso.

É agora. Vamos a isto.

Sento-me e... nada...

Absolutamente nada!!!


Nada! Nem uma frase, um conceito, um inicio. Zero, bola!
Que frustrante!
É como tentar ganhar um concurso de pintar o quadro mais colorido, mas só ter tinta branca...

Então tento brincar com as palavras como se fossem comida num prato e eu sem fome. Criar frases articuladas, mas quanto mais escrevo menos sentido me faz.
Olho à minha volta à procura de ideias mas as coisas são só coisas. Não tem segundos significados nem várias camadas de innuendos. São pura e simplesmente coisas, tem a sua forma apenas e são uniformemente sem cor.

BAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Apetece-me gritar as paredes sem cor. É frustrante ter milhões de coisas presas dentro de ti à espera de sair, mas não ter maneira de as deitar cá para fora.

Podia deitar as coisas cá para fora simplesmente... dizer diretamente as coisas sem ter que se ler nas entrelinhas. Referir as coisas pelo nome, visto que as coisas no fundo são só coisas. Isso seria muito mais fácil.

Mas assim seria aborrecido. As pessoas gostam de desafios. Especialmente quem os cria para si próprios como eu que estou em frente ao computador a espera que algo se escreva por milagre ou "obra e graça do Espírito Santo".

Então escrevo, não escrevendo tudo aquilo em que pensei escrever. Escrevi no entanto, sobre o facto de querer escrever mas não conseguir escrever tudo aquilo que quis escrever.
Escrevi portanto sobre escrever.





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.