domingo, 30 de novembro de 2014

A discografia do meu ano




Sento-me à lareira, no escuro da minha sala e ouço o álbum dos Lumineers, e lembro-me de tudo: do que já passou, do que se está a passar, do que se vai passando, do que passou e nem dei conta, do que passa e desejava que não passasse e do que irá passar.










E mudo de álbum e ao som do Vance Joy recordo os bons momentos, as brincadeiras, o verão, os beijos, as tardadas, a cadeia, as novas experiências e enquanto desafino o refrão de "Riptide" lembro-me do quanto ri, do quanto sorri, daquela que foi "a mais parecida à Michelle Pfeiffer que alguma vez vi", dos meus amigos e conhecidos, daqueles com quem fui feliz e do quão feliz fui... e troco de álbum...








...Bon Iver - For Emma Forever Ago - e aí aparecem as coisas tristes, as desilusões, as mentiras, os corações partidos, os momentos de solidão, a mágoa, a saudade e as causas perdidas e aí apercebo-me de uma coisa...












... o álbum do Vance Joy é maior que o dos Bon Iver...


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O brilho nos olhos

Olhei... E lá estava ele... um brilho que há tanto tempo não via. Já tinha saudades desse brilho, e olhei, e apreciei, e admirei o máximo que pude, e lá estava ele... pequeno, intenso e enganador, daquele tipo de brilho que só se vê quando se observa com atenção. E cometi um erro...

... desviei o olhar...

... e ele desapareceu...


... para outro sitio talvez, talvez para os olhos de uma criança recém-nascida, ou nos olhos de um velho à espera da morte, ou de um apaixonado impaciente e cínico, de uma mãe ou de um pai.

Só sei que esse brilho é o mais bonito de todos e deixei de o ver.

O brilho nos olhos é injusto e ingrato, mas é tão bom.  















segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A um amigo...

Amigo...
Tu que sabes. Sabes o que? Tudo.
Ou pelo menos quase. Tu que és dono de uma frontalidade inquestionável e uma mentalidade sem igual, sabes o que se vai passando, comigo, contigo...
Sofres, apesar de o saberes esconder melhor que eu, desde putas desarmadas que atiram palavras ao vento até ao não te conformares com a luta inevitável contra o esquecimento.
Mas também animas, numa felicidade constante e contagiante, numa energia que dava para a electrificar a cadeira eléctrica em que metes as coisas tristes da tua vida, sempre disposto a puxar a alavanca.
Tu és o riso num funeral, brilhas de maneira diferente e tens o potencial para brilhar ainda mais.
Aproveita o que és e eu asseguro-te que serás enorme.
Puto, a partir daqui é sempre a subir...



sábado, 8 de novembro de 2014

A minha vida é uma peça de teatro e eu recuso-me a ser figurante

Podemos todos concordar que somos alguém certo? E podemos todos concordar que por vezes não nos sentimos ninguém... ser ninguém... tornei-me muito familiar com essa sensação.
Por vezes vou-me deitar a pensar na minha importância e a maior parte das vezes chego à conclusão que sou um miúdo... sou um miúdo ingénuo, inconsciente e irresponsável, um aspirante a pseudo-escritor que só se sabe queixar, uma criança neste mundo de adultos, alguém que se apega demais e no final se torna dispensável, um louco apaixonado numa cidade que nunca dorme e milhares de oportunidades, oportunidades que apenas um louco não aproveitaria...
Mas eu gosto...
Gosto de ser louco e apaixonado, gosto de escrever mesmo que saia uma merda, gosto de ser esta criança grande que vê bondade em toda a gente, e adoro ser um inconsciente e ingénuo que se atira de cabeça mesmo que isso apenas lhe proporcione alguns segundos de prazer (segundos esses que por vezes valem uma vida).
Eu tenho, por obrigação, de gostar de mim, porque eu sou a única pessoa no mundo com quem posso contar a 100% e sou também a única que vai estar comigo em todos os momentos da minha vida (bela companhia...).
Eu não sou o amor da minha vida, até porque costumo pôr as pessoas de quem gosto à frente de mim próprio (um principio muito bonito, mas estúpido e nunca reciproco).
Mas gosto de mim, apesar de não ser a pessoa mais bem-parecida à face da Terra, nem a mais engraçada, nem a mais interessante (nem a mais fácil de aturar). A minha vida é uma peça de teatro e eu gosto de olhar a plateia nos olhos e ser eu próprio, gosto de ser parte da peça de outros por mais pequeno que seja o meu papel, gosto de ver o que me espera quando a cortina se levanta e acima de tudo gosto de ser parte do meu futuro porque nesse, ninguém me tira o papel principal.















sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Carta a um amor hipócrita

Sim venho escrever outra vez sobre ti... que remédio? Não consigo escrever sobre mais nada...
Tornaste-te um hábito mais que uma expectativa, e eu... eu tornei-me num louco mais que um apaixonado.
Cometeste erros tal como eu o fiz, e eu, aos olhos de muitos, tenho 1001 razões para não te dirigir a palavra, mas no entanto sempre o fiz, continuei a dizer-te um simpático "bom dia" com um sorriso nos lábios, um brilho nos olhos e um aperto no estômago, daqueles que só se tem quando se ama, como amigo, como amante, como confidente e, acima de tudo, como pessoa.
Tu eras um ser perfeito em todas as tuas imperfeições, imperfeições essas que, a meus olhos, eram invisíveis.
Esforcei-me para te dar o que pude, tudo o que pediste... e tudo o que te pedi de volta foi uma permissão para te fazer feliz, e fico feliz por dizer que me deste muito mais que isso, e no fim de contas espero que tenhas aproveitado, porque eu tentei fazê-lo.
Mas não funcionou e eu acredito (para bem da minha dignidade) que tenhas tentado, e a culpa nem foi tua, nem minha, nem das estrelas, agora o que me interessa atribuir culpa depois da merda estar feita?
Apercebi-me logo de inicio que enquanto pairasses no meu pensamento nunca iria ter paz... mas cheguei à conclusão que não quero paz, quero amar, quero que me partam o coração, quero contacto físico, quero ligação emocional, quero experiências e quero o mundo, mesmo que ele não me queira a mim.
Dito isto quero dizer-te meu amor que esta é a ultima vez que te escrevo.
Apesar de poderes contar comigo para o que quiseres eu não vou tentar algo improvável e recuso-me a ser triste por isso até porque a vida é muito mais que isso.
Eu não te vou fechar uma porta, vou abrir outra para mim.
Mas também não te vou procurar, porque sei que se te procurar vou te encontrar debaixo dos lençóis, do lado certo, da cama errada...
Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.