domingo, 27 de dezembro de 2015

O ano em resumo

Outro ano se passou, outro ano a escrever num blog sem futuro, a viver baixas expectativas e a querer o que não posso ter.
Ao menos um ano cheio de emoções cheias posso dizer. De experiências que vou guardar no cantinho mais resguardado da minha memória, não só porque não as vou esquecer, mas também porque não as quero esquecer.
Fui a festivais e concertos, vi alguns dos melhores artistas do mundo e vi bandas locais que deram espetáculo com os seus covers maisquecomuns das músicas dos Xutos e dos Guns,  li clássicos literários e teen novels, vi a estreia mundial do novo Star Wars, vi das paisagens mais bonitas que este país tem para oferecer e encantei me pela personalidade da grande metrópole. Perdi pessoas que admirava e umas quantas outras que nem tanto. Amei e fui amado incondicionalmente, até já não haver condições para tal.
Entreguei me de corpo e alma a tudo, aprendi que a poesia é muito mais que rimas, a poesia é a alma do poeta no papel, aprendi que Fernando Pessoa e Cesário Verde abusavam UM BOCADINHO no absinto, e descobri que por isso são dois dos maiores poetas do nosso país.
Descobri que tenho medo de não fazer nada daquilo que quero fazer, até apresentei um trabalho na escola sobre isso, a dizer que nem todos iamos ter lugar na história e por isso devíamos dar valor às pequenas razões da vida, a hipocrisia é realmente a maior virtude do ser humano.
Mas apesar de toda essa crise existencial - chamemos lhe crise de sexto de idade- aprendi que realmente são os pequenos momentos de intimidade que dão valor à vida
Ar, comida e água são necessários à vida, mas intimidade, prazer e amor são as razões pelo qual vale a pena viver.



E para o ano?

Continuarei a escrever neste blog sem futuro, continuarei a perguntar-me onde pertencem as pessoas solitárias, continuarei a amar incondicionalmente mesmo sem condições. Serei nada mais, nada menos que eu próprio. O mesmo miudo confuso, possessivo, (não clinicamente) deprimido, que quer voar apenas porque gosta da liberdade dos pássaros e quer o mundo, mas não o quer sozinho.

Vendo bem as coisas só me faltou experimentar sushi...





PS: Convido-vos a verem o video e a ouvirem e a reparem no sorriso enorme na cara do vocalista, a minha interpretação da música é que ela fala da juventude e de aproveitar enquanto somos jovens, e ele está visivelmente a aproveitar aquilo que faz. Sorrisos são tão contagiantes quanto espirros ou bocejos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Palavras caras e rimas brancas

Icebergs, sou maior
Sou tu, sou todos,
Sou a imagem na tua cabeça,
Sou o refrão repetido até à insanidade.

Há dias em que podia morrer,
Mas hoje não é um deles

Hoje sou rei,
Rei da inconveniência,
Rei da perversolândia,
Rei do meu cantinho à esquerda
quando se sobe as escadas lá em casa.

E sou louco,
Como todos os dias,
Porque escrevo sobre ser louco,
Porque me sinto a desaparecer por entre os lençois,
Porque as minhas paredes ja sabem o quanto eu quero
Aquilo que quero.

Passo pelos anos.
Vivo, mas nunca vivendo.
Faço céu e inferno,
Tenho o Diabo no corpo
Ou então sou Deus.
Ninguém sabe. E nunca saberão.

Sabem? Hoje é daqueles dias em que não se morre.
Hoje vive-se a doce ironia da vida.
Hoje não se morre, hoje é-se.








domingo, 13 de dezembro de 2015

Génesis 3:19

Odeio funerais. Odeio, odeio, odeio...
Faço o que for preciso para nunca mais ter que ir a um funeral na vida. A ultima memória que se deve ter dos mortos é a vida, não um corpo sem vida dentro de uma caixa de madeira.
Eu percebo o conceito de funeral e sei que um dia vou ser obrigado a ir um, ou pior, organizar um.
Mas um funeral é uma celebração de uma vida, então porque é tão triste? Até é das poucas alturas em que a família se junta toda. A minha mãe diz sempre que só vê o resto da família nos funerais.
Uma vida acabou, "porquanto és pó, e pó te tornarás", mas um funeral é para os cá ficam. Então digam-me se sou eu que fico cá porque não posso fazer o luto à minha maneira? Porque não posso guardar a minha amargura para mim? Porque não posso guardar as boas memórias em vez de ser obrigado a ver um corpo sem vida, vazio e completamente contraditório daquilo que a pessoa tinha sido em vida? Nunca conheci ninguém que gostasse de funerais.
Eu até diria que não quero choros no meu funeral, mas sinceramente, façam o luto à vossa maneira, eu não me vou importar.
O meu luto não inclui funerais ou velórios, carros funerários ou casas mortuárias. O meu luto memórias, sorrisos e lágrimas, momentos que eu guardo com todo o carinho que o meu corpo é capaz de oferecer e mais felicidade que tristeza. Fiquemos tristes pela morte, mas fiquemos felizes pela vida.

"Então morrer por morrer, que seja a rir."- Vasco Santana









segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Adeus, meu amigo

Para o meu pseudo-bigode, que me acompanhou desde o início do mês, e nunca chegou ao auge do seu potencial. Obrigado por tudo.

Nem sei como dizer isto. Este é um adeus temporário, isso te garanto, mas de momento não posso mais. Algumas amizades tem que ser destruídas para testar a sua resiliência ao teste do tempo. É o caso da nossa meu caro.
No inicio a nossa amizade era pouco mais que superficial, uma coisa estética para mostrar ao mundo que, também eu, fazia parte da grande moda mundial que era o #movember, mas tão depressa se tornou mais que isso.
Foste parte de mim, estiveste sempre comigo, não interessa o que eu dissesse estavas sempre por cima das minhas palavras.
Quem diria que eu tinha um amigo mesmo por baixo do meu nariz?
Acredita que não foi fácil aturar te, comichoso e irritante como por vezes eras, necessitado e pedinchas de cuidados continuados.
Eras um ser incompleto, defeituoso, ou talvez fosses apenas imaturo, não eras robusto como muitos dos teus irmãos que vejo andar com outras pessoas. Eras como eras e cheguei a ser gozado por andar contigo, perdoa-me por dizer isto mas cheguei a pensar deixar-te muito mais cedo... Sim eu sei, desculpa-me, mas a verdade é que por vezes achei que não valias a pena as bocas e os risos.
Mas em todos os teus defeitos, tinhas as tuas qualidades, completavas-me, eras proporcional em todos os aspectos e eras adaptável. Eras doce e meigo, e parte de ti vai sempre crescer em mim.

Meu Deus como vou ter saudades tuas...

Tive que te deixar ir, para o bem de ambos, preciso de ver outras coisas, experimentar coisas novas, espero que compreendas.
Não é um adeus definitivo, terás sempre um lugar especial no meu corpo e no meu coração.
Que o destino nos aproxime enquanto nos separa.
Obrigado por tudo e até já, companheiro.


Do teu amigo, hoje, agora e sempre.

André Ginja.









terça-feira, 17 de novembro de 2015

Keep your head up...


As vezes é só o que é preciso. Ser orgulhoso por uma vez, abdicar da humildade que tanto me caracteriza e dizer: "eu sou mais importante".
Eu tentei abraçar a escuridão, mas é impossível respirar submerso. Eu já não sou eu. Eu não sou ninguém. Eu sou toda a gente.
Sou tu, que me marcaste de alguma forma na minha insignificante existência. Ou tu, que me disseste a palavra certa na altura certa. Eu nem sequer sou o mesmo "eu" que era ontem.

Keep your heart strong...

E as cicatrizes que vêm com o ser? Essas ficam. São marcas de guerra. Marcas de um mártir. Um mártir na batalha da vida. 100% das pessoas que vivem, morrem (conclusão do século...).
E passo o tempo a observar, e a observar me, deixo me levar pelo aborrecimento diário e rotineiro da procura pessoal de adolescente, borbulhento, triste e convicto que é um Homem feito.
E passo o tempo a esperar que a força da maré me faça um Homem.

Keep your mind set...

Enquanto espero, vivo. Convivo. Amo. Odeio. Faço o que quiser fazer. Vou até onde quiser. Faço amor com os meus sentidos. Conheço me. Conheço os outros. Conheço quem quero conhecer.
Sou um puto que quer o mundo antes de ser um homem. Que mal tem isso? Posso sonhar? Sonho tanto. Ja dizia António Gedeão: "o sonho comanda a vida". Neste mundo já não cabem todos os meus sonhos. Os sonhos que me fazem, e desfazem. Se nós aceitarmos qualquer coisa abaixo do sonho, de que serve sonhar?


... and your hair long





sábado, 14 de novembro de 2015

Fado da mulher apaixonada

Eras o meu homem. Sim, meu. Com todas as letras? M. E. U...
É tão bom quando podemos chamar algo de nosso. Especialmente quando esse algo tem voz grossa e beija tão bem.
Sabes porque é tão dificil deixar te ir?
Porque eras o meu melhor amigo. Antes de qualquer outra coisa. Antes de amante, antes de confidente, antes de seres o meu mundo, eras o meu melhor amigo.
Desempenhaste o papel na perfeição, nisso não me queixo.
Mas explica-me qual foi o momento em que deixaste de me conhecer? Qual foi o momento em que me tornei apenas mais uma cara no cenário da tua vida? Um grão de areia? Uma... sei lá...
Custa-me olhar-te e que não me olhes de volta, custa-me ouvir te falar na tua namorada (ainda bem que estás feliz, mas eu tenho o direito a queixar-me).
Mas que podiamos nós ter feito? Podiamos ter fugido à lá Lolita. Imagino-me de flor na orelha e vestido sensual e tu ao volante a esforçar-te por fazer a difícil decisão de dividir o olhar entre mim e a estrada. Para onde? Não sei, a resposta clássica seria: "para onde o vento nos levar." Mas eu iria contigo até onde tu quisesses.
A parte mais gira? Estragamos tudo numa noite.
Estavamos tão atraídos, eu amava-te, e o meu instinto de mulher sabia o que queria. Queria-te a ti. Era a verdade nua e dura. Tal como te queria a ti.
Eramos lâminas nos pulsos. Se estavamos longe queriamo-nos e magoávamo-nos, se estavamos perto tinhamos medo.
Estavamos a oceanos de distância, mesmo que estivessemos abraçados. Talvez tu fosses isso mesmo. Um oceano. Grande, vasto, misterioso e bonito. E eu uma pedra no fundo desse oceano. As tuas marés moviam me, e eu seguia-te para todo o lado. E estavamos vivos, estavamos em sintonia, estavamos alí...
E se estivemos... estive como nunca estive. Estive com quem queria estar. Estive como queria estar. E estive tão bem.
Admite que fomos felizes. Fomos felizes nas noites que nos separaram, que por coincidência foram aquelas que nos juntaram. Fomos felizes no constrangimento e na culpa, no facto de sabermos que tinhamos medo com razão, que apesar dos batimentos sincronizados e das promessas de espera por medo da solidão, do facto de querermos estar alí e acima de tudo de estarmos apaixonados, loucamente, no amor mais piroso e lamechas que a humanidade ja viu (qual Romeo e Julieta ou Bonnie e Clyde?), o coração que nos juntou debaixo das velhas estrelas é o mesmo que nos impede de lá ficar, não podemos por gostarmos demais um do outro.
Nem 8 nem 80. É o amor perfeito, das duas uma, ou nos amamos demais ou não nos amamos de todo.
E seguimos cada um a nossa estrada, a tua ornamentada com grãos de café, borrões de tinta e conchas e a minha com a memória do teu sorriso de todas as noites que passaste comigo.




"La la la la la la la la lovely as you are my dear"


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Chora comigo, e eu chorarei contigo.

Chora comigo e eu juro que dar-te-ei o meu ombro e chorarei também. Depois chorarei por ti e levantar-te-ei.
Sorri e eu vou sorrir contigo. Fala e eu vou ouvir, com todas as palavras, chateia-me com o que te apoquenta e eu nunca me fartarei. Pede-me e eu nunca te deixarei sozinho, ou não me peças e abraça-me logo. 

Não sou Deus, nem finjo que sou, não posso resolver os teus problemas. Posso enfrentá-los contigo. Vamos em frente! Não há muro que nos pare, nem vento que nos derrube.
O mundo é um pátio e nós fazemos dele o nosso recreio.

É bonito, é nosso. É grande e cheio de coisas,
E num mundo tão grande, quão pequenos parecem os teus problemas?

Sofres agora com eles, e sofrerás sempre, sofrer é sinal de vida.
O maior problema das pessoas que sofrem é achar que podem fazer tudo sozinhas.
E o maior problema das pessoas que não sofrem é talvez não terem vivido o suficiente.


domingo, 20 de setembro de 2015

Particulas

A primeira lei da termodinâmica diz (aqui explicado de uma forma MUITO simples) que "a energia não se cria, nem se destroi, apenas se transforma".
Tudo no universo é composto por particulas, partículas essas que são compostas por matéria que por sua vez é, em parte, energia. Eu sendo um homem das humanidades esta não é a minha "praia". Ou seja este é o "grosso" da questão e está muito incompleto e por mais que eu tente pesquisar em dicionários, enciclopédias e livros de "física para idiotas", nunca irei perceber a questão verdadeiramente.
Mas eis uma parte que eu percebi. Eu, o leitor, o seu animal de estimação e o pássaro na rua ja foram, e vão ser, muito mais do que são.
As partículas que me compõem podem ter estado num dentes-de-sabre, na idade do gelo; numa bruxa queimada na idade média ou até na explosão da bomba atómica, poderão até vir a estar numa supernova.
A unicidade do Homem do ponto de vista cientifico é incrível. Em muitos aspectos os seres humanos são iguais até a um nível molecular, mas é impossível encontrar duas pessoas com impressões digitais iguais.
Mas quem se lembrará de um conjunto de partículas?
Aí entra a minha área, as letras, a história. A história grava os mais memoráveis conjuntos de partículas na eternidade.
A história dá a oportunidade de assegurar que a única vez que aquelas partículas se juntam daquela forma não é esquecida.
Mas é uma oportunidade, alguma vez ouviu falar no Joaquim Filipe que morava nos Olivais e morreu de cirrose? Eu também não. Mas nomes como Picasso, Einstein e Beethoven são reconheciveis até à mais ingénua mente.
As páginas da história e o tempo não esperam por ninguém.
E todos queremos o nosso lugar nos livros.

A ciência dá nos nomes: partículas, átomos, energia. A história grava nos no mundo.
Os Homens não são mais feitos de partículas do que são de memórias.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Leave me out with the waste. This is not what I do.

Hoje escrevo. Porque calha. Porque me apetece.
 O engraçado é que o tema é sempre o mesmo. Esteja eu feliz ou triste, cansado ou energético, bêbedo ou sóbrio. O quanto te amo e o quanto te quero e as saudades que tenho tuas e blá blá blá...
Consigo escrever um texto sobre ti com 28 páginas sobre o quão única és e mais umas quantas sobre o resto de ti. Mas tu não o irias ler. Estás tão cansada de ler sobre ti...
Aposto que ser o centro do mundo de alguém é cansativo.
Existem cerca de 7 biliões de pessoas na Terra e aposto que nenhuma me faz atrapalhar tanto a falar como tu. Eu acho que as palavras quando saem da minha boca tem todas pressa de te ver e acabam por tropeçar umas nas outras.
Ora ca estou eu a elogiar te, eu às vezes quero por te defeitos. Tens tantos, mas fico tão distraído no resto que os defeitos passam me ao lado.
Ficamos cegos quando mais precisamos de ver, e quão bonito é isso?
Mas contigo tem que se ser sombrio, escuro o suficiente para ver a tua luz.
Nunca soube se te levava à loucura? Ou libertava-te simplesmente?
Tudo o que alguma vez precisamos foi um colchão onde deitar a nossa desgraça.
Quantos textos já foram escritos sobre ti? Os suficientes? Não chegam para dizer tudo...


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Yin-yang

Ele vive do lado direito da rua quando se desce e dorme numa cama de mogno.
Ela vive numa casa na árvore e dorme numa gaiola dourada sem porta.

Ela quer mudar o mundo com arte, pensa em Banksy e pensa em alternativo. Faz yoga ao som de Linda Martini. O barulho acalma-a.
Ele acha que a música vai mudar a sua vida e quer ser independente. Vai à loucura ao som de Damien Rice. A calma excita-o.

De dia ela é uma criança e ele um homem.
De noite ele é uma criança e ela uma mulher.

Ele aquece se com um cobertor de lã.
Ela aquece se com pele de lobo.

Ele tem tantas guitarras quanto ela tem desenhos.
Ela tem tantos desejos como ele vontade de os concretizar.

Ele chora no Forrest Gump.
Ela chora no À Procura de Nemo.

O jardim dele cresce cactos.
O dela cresce as rosas mais bonitas.

Ele veste se de preto e é discreto.
Ela veste se de branco e parece um anjo enquanto o seu sorriso encandeia a sala.

Ele é tímido e atrapalha se a falar.
Ela de hoje para amanhã arranja uma tatuagem nova, um novo piercing e um amante.

Ele quer ver o mundo.
Ela quer ver o mundo.

Ela sonha ser feliz.
Ele sonha com ela.






terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ouves a música?

Sempre achei que os discos tinham a solução para todos os problemas da vida, principalmente os relacionados com relacionamentos.
Dei por mim a procurar respostas muitas vezes neles.
Começo nos Pink Floyd, passo pelos Supertramp, o James Bay e até os Iron Maiden. O Bob Marley diz que vai ficar tudo bem e pergunta-se se é amor que acontece na sua cama de solteiro, os Rolling Stones não se satisfazem, o David Bowie continua a procura do Major Tom e o Bryan Adams lembra-se de uma posição sexual que não é a solução que procuro mas junta-lhe uma pitada de "Grease" e poderá muito bem ser "The One That I Want".
Percebo que não achei solução nenhuma, que todos os sentimentos, emoções e experiências que aqueles artistas passaram a vida a documentar, a aperfeiçoar e a harmonizar, serviram talvez para que o ouvinte se relacione e não se sinta sozinho mas ao mesmo tempo se sinta único. Mas não para resolver problemas, de raiz amorosa ou outra qualquer, a música poderá ser um meio, mas não um fim.
Estarei a procurar nos sitios errados? Talvez, a solução dos meus problemas até pode estar num objeto circular de policloreto de polivinila.
Se está, ou onde está, não sei. Os positivistas e gurus dizem que está em nós próprios, os altruístas dizem que está nos outros, os românticos dizem que está "nela/nele".
Eu digo que não sei, mas hei de descobrir. E quando o fizer vou assegurar me que tu, que estás a ler isto és dos primeiros a saber, combinado?

"E aqueles que foram vistos a dançar, foram julgados como loucos, por aqueles que não conseguiam ouvir a música" - Friedrich Nietzche



 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

De: mim. Às horas menos adequadas

Tenho um dedo no botão "enviar", se o largar o destinatário receberá uma mensagem no telemovel com apenas duas palavras, duas palavras que repito todos os dias. Essas palavras separadas não são nada de especial, sao apenas... palavras. Secas, banais, insonsas. Mas quando se juntam fazem um dos maiores, mais intensos e mais queridos desejos que um ser pode querer a outro.
Mas nao sei se largue o botão, até uma expressão como esta pode tornar se chata, enjoativa ou, no pior dos cenários, repulsiva se repetida até à exaustão pela pessoa errada.
Sinceramente só quero mostrar ao destinatário que me recordo da sua imagem todas as noites, e no fundo até quero que seja recíproco, mas sei que sou a pessoa errada e causar repulsão com a ideia de desespero é a pior sensação para qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de laço emocional com outra.
A ideia de desespero é agonizante para os dois lados, para quem procura pois sente que aquela pessoa ja não sente qualquer tipo de atração ou carinho por ela, até pode não ser verdade, mas o beneficio da dúvida não se aplica e parte se logo para a conclusão mais precipitada e, por consequência, a pior. Para a parte que é procurada para além do possivel sentimento de desconforto e constrangimento de sabermos que há uma pessoa que nos procura e que nos quer tanto e nós não queremos dar o mesmo tanto de volta há ainda o sentimento de que se se é a ultima escolha, pois se aquela pessoa está desesperada quer dizer que já gastou todas as outras primeiras hipóteses até chegar a mim, e ninguem gosta de ser segunda escolha quanto mais a última.
Mas talvez se eu deixar na caixa de mensagens aquelas duas palavras hoje, talvez num outro dia, ela pense, "todos os dias ele me lembra que se lembra de mim". E só o facto de aquelas palavras a levarem a lembrar se de mim naqueles segundos possam valer a pena. Ou então passo pelo papel de stalker desesperado, ou ainda, na pior das hipóteses passo despercebido e ignorado.
Oh pah que se lixe, só se vive uma vez e essas tretas todas, quem não arrisca não petisca certo? 

- e larguei o botão

Lá vai um sms com as duas palavras que me assombram, anseiam e me fazem questionar se fiz bem ou cometi um erro. São só duas palavras é certo. Mas são duas que podem acabar com o ultimo fio de uma relaçao ou fortalecer o mais fraco afeto.


- Eu: "Boa noite"






quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Só quero ser bebé

Se pudesse era bebé para sempre.
Os bebés para além de serem incrivelmente adoráveis, são seres cruéis, egoístas, egocentricos e manipuladores que se aproveitam disso.
Adorava ser bebé por várias razões simples e obvias:
Para além das minhas preocupações passarem apenas por dormir, comer e brincar (os quais nem tenho que saber fazer porque haverá sempre algum otário disposto a fazê-lo por mim), se quero alguma coisa podes apostar que a quero JÁ!!
Se não me a deres vou gritar como se estivessemos num filme do Hitchcock, muito simples.
E o melhor de tudo:
Qualquer zanga ou culpa que ponham em cima de mim dura no máximo 10 minutos porque eu sou adorável.
"Olhem para mim, sou tão fofinho, sou o pináculo da natureza humana, sou o estado primário de qualquer um de vocês, só que melhor porque tenho estas bochechas gordas! Agora passa para cá as tetas que eu tenho fome...".
Um crescido tem que trabalhar para as coisas, ter muita sorte ou (lá está) ter carinha de bebé. Um crescido tem que se conformar com o mundo e os problemas que este tráz, contas, amores... enquanto um bebé pode dizer "eu quero é que vocês vão todos pentear macacos, agora onde está a minha manta do Noddy?"
Se fosse bebé era tudo mais simples. Se fosse bebé era dono do meu mundo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Qual o sabor das nuvens?

A que achas que sabem as nuvens? Eu acho que sabem a ti. Tenho que ser sincero, nunca provei uma. Mas tenho a certeza que algo tão bonito como as nuvens só podem saber a algo igualmente bonito... oh André lá estás tu com esse teu lado cortês... ninguém gosta de um lamechas no seculo XXI. Talvez no tempo dos romanticos em que se morria de vergonha literalmente (ehm ehm... tuberculose... ehm ehm...).
Uma vez informaram me que as nuvens sabiam a algodão doce, o tal informador tinha 4 anos mas todos sabemos que quem vê melhor o mundo são as crianças.
Eu cá na minha mistura de criança com 1,80m e romântico digo que as nuvens sabem a algodão doce que, por sua vez, sabe a ti. E agora?! Nunca pensaste tu ser tão doce!
Isto é assim, acho que depois de tanto especular mereço provar. Deixas?
Eu cá nao sei se quero que me beijes nao vá eu apanhar diabetes. Va acho q só um cheirinho nao faz mal, é por propósitos cientificos, e um bocadinho pessoais, quem diz que a ciência do beijo não é divertida?
Assim acho que me vou formar nessa ciência, desde que sejas tu minha professora, pode ser?
Vá agora chega te aqui que tenho falta de açucar no sangue.

domingo, 9 de agosto de 2015

Queres? Queres?

Hoje vi alguem no nosso sitio na praia, aquele onde nos sentámos à noite. Eu sei que nao o proclamei "nosso" em voz alta. Mas como tanta coisa que só existe na minha cabeça, tambem aquele sitio encostado à parede era nosso.
Eramos as duas pessoas mais importantes naquela praia
Que importa se eramos as unicas?
Nao sei para q a praia foi feita, mas para amar foi de certeza.
Nem sei como te deixaste ser destes braços sem sabor, nem sei como te fiz rir visto q o meu sentido de humor está algures entre o Rui Sinel de Cordes e um esquentador.
Eu sempre soube q os anjos nao tinham asas, mas descobri que tem sexo, e é por isso q se chamam anjos...
Tremo só de pensar, fico arrepiado, queres q te mostre a pele, queres?
Assim descubro que ser eterno é facil, basta fazer te rir. E despir te depois... não é muito poético mas é bonito. E nao deixa de ser verdade.
Talvez pensasses nisto no momento em que os lábios deixaram de amar e as mãos deixaram de se tocar.
Ando a ler Chagas a mais. Talvez isto me lembre de ti. Admito q até copiei algumas frases. Sabes, é que ele às vezes diz coisas q eu gostava de ter sido eu a dizer te a ti.
Eu tentei dizer. Talvez encontres quem tas diga melhor que eu.
No fundo eu daria o mundo para te ter, nao fosse ter te, já por si, ter o mundo.

domingo, 28 de junho de 2015

Somos estrelas cadentes

Olhem-me para a razão
desta redação
venho dizer ao mundo que a invenção
da minha imaginação
é condicionada pela comutação
do meu coração
Com a paixão
de um outro cidadão.
É que é só com esta ligação
Me surge a inspiração
para a expressão
da minha emoção

E que a expressão nata
surge quando a exata
imagem tua, gata
não abstrata mas a simples e inata
ideia barata que contata e contrata
da tua companhia insensata
que dilata e engata a mente novata
deste pirata.
E até à data não sei de gaiata
mais telepata e inexata
que assim me abata,
e com uma bala de prata
me mata.

E que de uma enxurrada
estás de barraca armada
nessa catrefada
fumas uma cigarrada.
Porque te pensas injustiçada e indesejada
digo-te à descarada
que não podes estar mais errada.
Ouve lá ó danada, tu és amada.
e de uma fisgada
te digo com piada
o quanto queria deixar-te toda suada
sem roupa sem nada, destapada.
Ficas ressabiada e de uma só jogada
esta conversa tarada deu uma voltada
e te deixo deitada e corada.

E enfim é assim
que eu te quero só para mim
nesse teu humor de trampolim
e inocência de querubim.
Com um golpe de espadachim
eu intervim
e disse que te amava sem-fim.
Não gastei o meu latim
em vão, deixaste me num frenesim
então, tão ruim
que um motim
se deu na tua blusa de cetim.

E como agente, doente, serpente
que és, te fazes isente
de concorrentes.
E com uma aguardente
festejamos o ocorrente, imprudente e iminente.
E amamos efervescentes como dois adolescentes
sou omnipotente quando tu estás presente.
E espero paciente, pelo teu amor urgente
neste acidente inconveniente.
Mas crescentes, nunca ausentes
nesta ligação ardente
somos estrelas cadentes.






quarta-feira, 17 de junho de 2015

Confissões de meia-noite

Sabes quanto tenho mais saudades tuas?
À noite quando a lua vai alta e entra pela janela do quarto.
Porque é à noite que tudo acontece. E a lua ilumina os dois corpos naquela cama.
O mais engraçado e triste é que nenhum deles és tu.
Pergunto-me se contigo acontece o mesmo. Não deve acontecer visto que quando tu quiseres o outro corpo na tua cama serei eu. Basta dizeres "vem". É simples assim. Uma palavra controla uma vida e a tua existência controla muito mais.
Tenho passado muito tempo à janela. À noite principalmente. Admirar o céu vasto faz me sentir tão pequeno. Uma imensidão de espaço. E se pudesse eu admirava esta imensidão contigo, observávamos a estrelas, talvez até te ensinasse as constelações e dissesse uma frase lamechas qualquer sobre a imensidão dos teus olhos que faria com que tu me beijasses. À noite é quando tudo acontece...

Dizem que até um relógio parado dá as horas certas duas vezes ao dia, ninguém se lembra que um relógio a funcionar pode nunca estar certo.
Talvez se eu continuar em frente nunca acerte as horas. Mas se esperar eu sei, que se esperar eu vou acertar as horas de tempo a tempo. E talvez um dia o relógio pare... E nós com ele...

Não sou magnifico, nunca fui, nunca vou ser. Apesar de tu mereceres magnificência.
Eu não consigo. Eu quero. Eu quero tanto. Eu quero te tanto.
Isolo-me nos meus headphones ao "Holocene"
E aí apercebo-me que só há amor quando não se é magnifico. Amo pelos defeitos. Amo os teus defeitos.
As qualidades fazem-te bom, os defeitos fazem te interessante.
E de uma vez apercebi-me que amava, e não era magnifico.

Eu era suposto ser paciente, e eu tentei ser sensato, mas não consegui, pus o coração à frente do cérebro.
E faria-o de novo.

Talvez algum dia esta dor desaparecerá...
Talvez quando o meu coração deixar de bater, o meu corpo não desejar amor e as minhas pernas já não me aguentarem.
Aí eu vou aperceber-me que amei a vida inteira. E que valeu a pena.

Eu só queria fazer te sentir confiante e confortável, que tu o sentisses.
Parece que acabei numa overdose de palavras. A escrever todos os dias.
Parece que escrevo para ti. E parece que eu preciso mais disto que tu.

Eu não sabia.
Eu não precisei de conselhos.

Eu só queria ser, não queria ser teu, nem meu. Queria ser.
Ser alguma coisa. Ser tudo. Isso faz me feliz

Parece que a minha felicidade é uma cena fodida.

Podias ser o meu sonho, a minha fantasia, o meu fetiche, o gosto na minha língua.
Há quem me desse amor, mas não me saciaria.
O teu lado é o meu sitio preferido. E tudo que podíamos ter sido...
Eu ainda te sinto sabias? À noite na minha cama, ou nos meus lábios quando fecho os olhos.
Eu podia amar te mais que o próprio amor não fosses tu a minha cruz. Eu podia amar te mais que a vida se não tivesse tanto medo.
E que mais poderia isto ter sido?
Então abre me os olhos, mostra me que estou vivo, diz que me amas, diz alguma coisa, tenta domar esta mente selvagem, volta...


Quanto tempo até perceberes que sou aquilo que procuras?




sábado, 13 de junho de 2015

Entrega-te a alguém

Deixa que te partam o coração
Volta a reconstruí-lo
Ama-a
Quer
Fode
Trinca-a
Lambe-a
Beija-a
Beija de lingua
Apalpa-lhe o rabo à descarada
Troca olhares sem dizer uma única palavra
Beija sem motivo
Digam coisas que, se mais alguém vos ouvisse, internar-vos-ia num hospital psiquiátrico
Odeiem pessoas juntos
Comam pizza deitados no sofá, os pés na mesa e um filme dos anos 60
Comam-se na praia
Interrompam o jantar para fazer amor
Esqueçam-se de jantar para fazer amor
Faz sexo oral
Masturbem-se
Toca-lhe sem receio
Diz-lhe coisas porcas ao ouvido
Faz um strip
Rasga uma camisa
Deixa que ela te ache magnifico
Diz-lhe que está sempre bonita, mesmo se não estiver, porque para ti vai estar sempre
Usem a vossa mente selvagem
Imagina
Experimenta
Quer
Ama
Faz.


















quinta-feira, 11 de junho de 2015

Um adolescente repassado

Roubei uma garrafa de Logan ao meu pai e peguei na guitarra, levei a para o telhado porque sempre achei como sentimentalista romântico que sou, que tudo é mais bonito debaixo de um mar de estrelas, incluindo a minha miséria.
Não sai nada de jeito, pensei que talvez fosse hoje que escrevia a melhor música de todos os tempos. Mas só me sai metade da música o nome dela e a outra metade "foda-se".
Como podem ver é tão imaginativo como uma música da Ellie Goulding...
Mas hoje nem as estrelas são bonitas, a estrela polar está mais brilhante que nos outros dias.

O que eu não dava para que ela estivesse comigo, aqui, a observar...
O que eu não dava para que ela estivesse comigo, aqui...
O que eu não dava para que ela estivesse comigo...
O que eu não dava para que ela estivesse...
Não está, começo a habituar-me à ideia, e repito estas palavras até a exaustão.

Olhem já bebi metade da garrafa. Não que isso seja relevante de alguma forma mas pronto apeteceu-me partilhar.

Cada gota de álcool que me passa no goto é menos um segundo que sinto a tua falta, e canto...
Canto a ti e a mim, e a nós, se esse ainda existir.

Faço brindes a tudo:
"Que os meus filhos tenham pai rico e mãe bonita" - bota abaixo
"Que a minha mulher nunca fique viúva"- bota abaixo
"Que chegue ao céu meia-hora antes do diabo saber que morri"- bota abaixo

E um brinde especial!
"A ela, que viva bem e comigo sempre, quer eu esteja lá ou não, mas de preferência..."
Pelo que vivemos e vamos viver, juntos ou não.

Vou parar com a bebida, se eu fosse brindar a ela tudo o que ela merecia entrava em coma alcoólico.

Volto-me para a guitarra, toco a nossa musica, desafino-a, não me interessa. Eu só quero tirar a angústia.
Com a garganta quente, um ardor no coração, a tua imagem na cabeça e uma lágrima nos olhos, canto.
E grito.
E desafino.
E chamo tudo ao mundo por ser tão cruel.
Porque é tive que escolher uma música tão bonita para uma mulher tão bonita?

Belo, agora é a altura da noite em que começam as dúvidas existenciais e a procura pela razão ingrata da minha incurável tristeza.
Começo pela pergunta do costume, "o que é que eu fiz?", a culpa é minha claro que é, eu não fiz o suficiente, ou se calhar fiz de mais, não sei mas a culpa é minha!
Depois segue-se o "mas será que ela ainda sente alguma coisa?", e eu infiro muito nesta questão, não porque não saiba a resposta certa, mas apenas porque quero ouvir a errada.
E depois de muitos minutos de pseudo-filosofia e previsão dependente vem a pergunta para um milhão de euros,
"Será que se eu fosse ter com ela neste momento, e a beijasse, levava um ou dois estalos?"
Mas ainda mais importante na minha opinião "Será que me importo?".

Largo a guitarra e volto para dentro, deito-me na cama e perco tempo a escrever este texto inútil que estou simplesmente a usar para me queixar como faço sempre.
Sinto urgência em amar, prefiro procrastinar, e queixo-me.
O que vale é que a imagem dela tráz me bons sonhos...



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Por favor ama-me

Eu sei que amar não é uma coisa que se peça, e ainda menos é uma coisa de pedir "por favor". Mas é só pela educaçao porque eu não quero amor por favor. Eu quero amor símples e objectivo:
- "Eu amo-te porque sim".

Eu quero ser amado, e quero amar, até porque é isso que faz levantar da cama todos os dias, é o pensamento de "é hoje que ela me diz que me ama". Até pode nem ser hoje, e provalvelmente até nunca vai ser, mas se eu fizer nesse dia alguma coisa em função disso, é um dia ganho.

Alías todos os dias que tenham a ver com a pessoa que amamos são dias ganhos.
Só quem ama sabe o quanto pode valer um "boa noite" ou um "como estás?".
E se encontraste a pessoa que amas, e mesmo que ela nao te ame, ela acarte com as palavras mais estapafúrdias, estrambólicas, extraordinárias e ordinárias que tu possas dizer, já vale a pena tê-la deixado entrar na tua vida.
Porque eu garanto te que vais deixar escapar um "amo te" entre as tuas palavras. Até pode ser na brincadeira e ser o "amo te" mais subtil da história dos "amo tes", mas já dizia o povo que "a brincar se dizem as verdades". E vais ser querido sem querer, vais tentar conquistar essa pessoa sem que ela perceba, mas ela vai perceber, porque um dos defeitos do amor é ser óbvio e impossível de esconder. E vai ser constrangedor, claro que vai. Ninguém gosta de dizer "Eh pah eu até curto que tu me ames e tal mas... eu não sinto o mesmo..." e depois espetar com a treta do "não és tu, sou eu...". Porque a culpa, quer seja vossa ou não, vai ser sempre vossa para voces. Voces vao se sempre considerar os culpados.
Quanto mais penso nisto mais chego à conclusão que o amor é uma merda, só serve para me fazer sentir miserável e dar-me os melhores momentos da minha vida só para depois os tirar de mim como se tira um doce a um bebé. E tal como um bebé, acabas a chorar, a gritar pelo doce e a quere-lo de volta porque era teu e era bom.
Foda-se amar é uma foda.
Pergunto me se o amor acende um cigarro depois de me foder à grande...

domingo, 7 de junho de 2015

Voltaste meu querido

Abri a porta, e para todo o meu espanto eras tu.
Nem tinha acabado de dizer uma palavra e já a tua lingua percorria a minha, e era tão... tão...
Agarrei te pelos cabelos e deixei-me levar. Fizemos amor, fodemos, fizemos tudo o que sabiamos fazer, sempre com aquela emoção sem nome, mas que todos sentimos pelo menos uma vez na vida.
Nunca te tinha desejado tanto. Nunca te tinha tido tanto. Nunca me tinha sabido tão bem. Cheiravas a uma mistura de álcool, tabaco e suor que me excitava tanto.
A minha cabeça no teu peito sentia o bater do teu coração, estavas ofegante, e, provavelmente, estavamos em sintonia.
O mundo deixara de existir. O meu mundo pelo menos.
"Planeava ir me embora sabias?"- disseste tu numa voz cansada que transbordava confiança.
Esbofeteei-te com toda a minha força. E beijo-te logo de seguida. E fizemos o que sabiamos fazer de novo. Pensei que se tinhas planeado ir embora mais valia aproveitar agora antes que mudasses de ideias. E aproveitei. E foste meu, só meu.
Voltamos à mesmo posição, tu deitado e eu com a cabeça no teu peito. Isto aqui é a vida.
Estamos juntos, estamos separados, estamos sempre um com o outro.
Tu deixaste dormir, esse teu leve ressonar ecoa no quarto. A cama já não é tão grande, aliás agora é pequena para os dois, mas não faz mal.
Aninho-me bem e saboreio cada milímetro do teu corpo com o olhar.
Estás aqui. E és meu. Por vezes gostava que o tempo parasse, em momentos como este era perfeito.
O meu mundo continua solitário, mas se tu estiveres nele não preciso de mais ninguém.
Beijo-te na face e fecho os olhos.
Voltaste a casa, e é só isso que interessa.























No prego de volta a casa

Estou parado à beira da entrada da estrada nacional, a partir daqui seria, entrar na auto-estrada e seguir para onde o mundo me levar. Sim é cliché eu sei, mas tu sabes que sempre gostei de clichés e filmes. Talvez isto até seja o mais parecido a um filme que eu vá viver, sou novo, porque não?
Se isto fosse um filme talvez eu agora me fosse embora com a capota do Ford Escort em baixo, óculos de sol, o cabelo a pingar gel, o "Born to be Wild" a dar na rádio e uma vontade de abandonar tudo...
Sentei-me no lugar do condutor e meti a chave na ignição. Está na altura de fazer a decisão, não há nada que me prenda aqui, tinha-te a ti, mas não sei se essa é razão suficiente para ficar.
Não é que eu não queira ficar contigo, quero, quero mesmo, mas não sei...
Um cabrão de um camionista apitou e distraiu-me dos meus pensamentos, nessa fração de segundo em que me distraí ia jurar que tive saudades de pensar em ti.
E quanto mais me lembro de ti mais me apetece pegar no carro e dar a volta...
Não sei se o faça, nem sei o que faça se fôr, talvez pegue em ti e te leve ao céu, alí no hall de entrada, talvez fale contigo primeiro, tenhamos uma discussão como nos filmes e depois reconciliamos no quarto, ou talvez nem me abras a porta...
Chego à conclusão que não me interessa, vou ter contigo, e vou matar as saudades desses lábios, matar a fome desse corpo e querer te como nunca te quis!
Meto a primeira e dou a volta, que tinha eu na cabeça?
 Ir me embora sem me despedir?


















sexta-feira, 5 de junho de 2015

Confissões DA gaja

Já alguma vez pensaste em mim à noite quando ninguém está a ver? Eu já pensei em ti, penso em ti todas as noites, e todos os dias se é que te interessa.
Nem sei porque, aposto que tu só pensas em mim quando estás a pensar no que fazer à outra gaja com quem vais fazer amor, ou foder, porque fazer amor nunca vais fazer como fizeste comigo, ao menos fico com essa parte de ti. Pfff, fazer amor... ingenuidade pura.
E enquanto tu passas os dias acompanhado de mais, os meus são apenas mais solitários a cada dia que passa. Contemplo a janela, contemplo a lâmina e contemplo o dealer ao fundo da rua. Mas abstenho-me pela hipótese de tu voltares a entrar por aquela porta e eu não querer que tu me encontres num estado em que não possa ver essa tua entrada triunfante.
Mas o que acontecerá quando tu (se tu) entrares por aquela porta? Será para vir buscar as tuas coisas? Ou para me pegares ao colo e me levares para o quarto?
Porque é que com tanta gente para amar, só me preocupo contigo? Foda-se! As vezes apetece-me partir tudo o que é nosso. Incluindo a ti, visto que sempre partilhamos os nossos corpos, apetece-me bater-te, e pontapear-te e esmurrar-te, e beijar-te e abraçar-te e dizer-te que és meu.
Como eu gostava que estivesses aqui...
Esta casa é o céu sem ti... e é tão aborrecida. Só já vejo o céu escuro da noite, e o cigarro a queimar na noite. Pergunto-me se lá ao longe percebes que aquela pequena luz sou eu a pedir te para voltares para casa.
Já não durmo, a cama é enorme sem ti e por mais que tente compensar a tua falta acabo sempre em lágrimas a gritar o teu nome. Pergunto-me se sequer pensas no meu.
Deves andar por aí, de bar em bar, de gaja em gaja, a tentar perceber que sou aquilo que sempre quiseste.
E vais voltar, tão fluído com um longo suspiro. E eu espero incansavelmente.
De que me vale continuar se eu só sou eu quando tu estás?




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dele...

E a mim? Achas que não me custou sair pela porta daquele 5º andar? Juro que às vezes preferia ter saído pela janela...
Tu já sabes o que aconteceu depois, se não sabes imaginas.
Enfiei-me num bar a quilómetros de casa, de ti e enfrasquei-me, bebi whiskey até não poder andar, agarrei numa gaja qualquer que fodi no carro e tentei esquecer-me de ti.
Escusado será dizer que não deu. Apenas a tua imagem aparecia a cada investida que fazia. Foi constrangedor, não o voltei a fazer. E por respeito a ti tirei a aliança, que é mais do que tu alguma vez fizeste por mim.
Eu sinto a tua falta, sinto mesmo. Mas o orgulho é maior que eu, sabes que sempre me considerei um mundo antes de me considerar um homem, mas às vezes não passo de um rato.
Talvez eu não seja mais que um rato nojento, um mártir daquela merda a que chamam amor. Provavelmente até nem sou mais que isso, até nem sou mais que a chuva que cai ou o soldado que desertou.
Tem pena de mim, eu quero que tenhas, tem pena da pessoa que sou sem ti. Já devíamos estar habituados a isto, mas como nos habituamos a ser miseráveis?
Quem é que tomou quem por garantido? Acho que tentamos responder a essa pergunta tantas vezes que acabamos a trocar mentiras por vantagens.
E a chuva toca-me no rosto e tem um toque suave como o teu. Estou encostado ao carro no meio do nada, ouve se uma respiração de dentro do carro e não és tu, custa me tanto ter que estar com outra pessoa que acho que nem sei o nome. O único som audível em quilómetros é o som do meu cigarro a queimar, eu sei que prometi deixar de fumar, mas eu também prometi cuidar de ti até que a morte nos separasse.
Se eu falhei a cuidar da pessoa mais importante da minha vida, para que mais sirvo?
Considero voltar, será que me abres a porta? Se eu te chamar querida, disser que te amo e te fizer sexo oral deixas me voltar? Pois talvez não, se estiveres como eu, a sentir a raiva do próprio corpo e a quebra da própria alma.
O sol já nasce, e caio de joelhos, espero um momento para observar a segunda coisa mais bonita do mundo e dou um ultimo gole no whiskey antes de partir a garrafa.
Apercebo-me que assim como a garrafa eu parti te, e vi te por dentro, e vi as tuas cores e vi que por dentro eras feia, feia como eu, e satisfiz-me em ti.
Ás vezes gostava de estar morto demais para chorar, mas vivo para que tu me assombrasses.
Então faz me um favor. Pede me para voltar, pede me para ficar. Eu quero saber que te pertenço e não me deixes sair outra vez pela porta, quanto muito pela janela.










Dela...

E já sobe o sol de novo. E é mais um dia que tenho que passar sendo tua. Não sei, parece que olhar-me ao espelho magoa, ver este reflexo de mulher perdida, e magoa ainda mais não te ver nele.
Tentamos o adeus tantas vezes, mas caminhamos na mesma direção. Eu acho que caminhamos na mesma direção para nunca nos afastarmos verdadeiramente.
Eles dizem que o tempo cura tudo, mas é o tempo que magoa mais, o tempo sem ti meu amor.
Parece que foi ontem que saíste pela porta e entre gritos e injurias disseste que nunca mais me querias ver, talvez até tenha sido ontem eu perdi a noção do tempo quando te foste, e eu chorei com a mesma força emocional que tinhas quando saíste. Não conto as vezes que me sentei em frente ao espelho nua e te esperei, com lágrimas e o desespero de quem ama.
Cada carro que passa em frente ao prédio é o teu e cada porta da rua que abre és tu a voltar.
E talvez até sejas, e eu abro sempre a porta...
E nunca és...
Este quarto está distorcido sem ti. Porra! O mundo está distorcido sem ti.
Talvez eu não te mereça e é por isso que agora não voltas, talvez tu não mereças o amor que tenho guardado para ti, mas eu juro aqui e agora que to dava todo, até porque não consigo dá-lo a mais ninguém, às vezes gostava de te poder magoar como tu me magoaste meu cabrão, não fosses tu meu amigo mais que meu amante.
As tuas cartas ainda tem o teu perfume, passa-me a possibilidade de as queimar, nunca o faço e arrependo-me logo de sequer ter pensado isso. A verdade é que tudo o que sou, fui contigo e não abdico disso.
A porta da rua abriu! É apenas o carteiro...
Está escuro, nunca tive medo do escuro, mas passo a ter se tu me vieres consolar e dizer "vai ficar tudo bem".
Mas não vai ficar, porque as minhas histórias de amor não acabam assim, nas minhas histórias de amor a princesa desiste da vida, o príncipe droga-se, os anjos mentem para se sentirem no controlo e o espelho mágico tem o meu reflexo.
E é engraçado como as reflexões mudam...
Espero-te neste tédio que me olha e deixa que as vozes na minha cabeça digam a maior loucura de todas:
"Segue em frente"- nunca fui de obedecer.





segunda-feira, 1 de junho de 2015

Rotina diaria

Hoje acordei a pensar em ti. Olhei para o telemóvel e apercebi me que tinha uma chamada perdida tua. Senti-me estupido por ter perdido a oportunidade de ouvir a tua voz e ouvir te dizer que me amas mais uma vez.
Porque há certas coisas de que me canso na vida (e há certos dias em que me canso da vida) mas ouvir te dizer "amo-te", nao é uma delas.
Faço a minha vida normal ("normal"), mas sempre com a tua imagem na minha cabeça.
Pois desculpa, mas já deixei de contar as vezes em que te imaginei na cama só hoje. As vezes dou por mim a olhar para ti e a pensar "por favor, vem até aqui e beija-me". Sim porque o anseio de te ter é a maior razão de viver, e haverá lá outra.
Nos teus lábios (ou na falta deles) residem todos os meus medos, e nas tuas pernas o amanhã, a tua voz é o suficiente para me fazer voltar, e "tu" é o suficiente para me levar onde quiseres.
Há pessoas que me marcam, pessoas que deixam o impacto e desaparecem, há pessoas... há pessoas e depois existes tu.
Esse "tu" que me conquista todos os dias. Apaixona-te por mim todos os dias, cansa te de mim todos os dias, volta a mim todos os dias, sê minha todos os dias.
Há a ansiedade de viver e a ansiedade de te ter, que no fundo é o mesmo.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Toque de Midas

Apanhaste-me de surpresa, e eu quis.
Essa tua mania de me surpreenderes é das coisas que mais me surpreende.
Surpreende-me todos os dias como quiseres, seja com uma música, com um beijo, com um milímetro do teu corpo que nunca mostraste a ninguém.
Dá-me tudo, tudo o que queiras dar, que eu vou receber com prazer.
E nesse misto de emoções, voltei a amar me e a amar te.
Cansa te de mim se quiseres, mas eu não vou a lado nenhum. Eu não sou o vento que passa, ou o estranho que passa de cigarro na boca e vira no cruzamento, sou aquele que está contigo ate o meu corpo não me aguentar. Aquele que vê nesses olhos castanhos, a linha da costa ou a Gare du Nord e um futuro em tons de sépia.
Eu sou um tipo frágil e tu és o brilho nos meus olhos. Eu nao te peço promessas, e não tens que me chamar teu, mas porra eu chamo te minha. E eu nao me canso de ti.
Acredita em mim quando digo que gracas a ti a solidao ja e só apenas uma palavra. E com o teu toque de Midas me transformaste, não em ouro, mas em algo bem mais valioso. Eu não sou magnifico, e sou apenas uma pequena parte do holoceno, mas sou a tua parte, e haverá algo mais valioso que a entrega?
Há algo de doce no ar quando estás. E algo de inexplicavelmente hipnotizante no teu perfume. E algo de assustadoramente imponente na tua imagem, que me deixa desejando a tua figura 24/7, seja segunda ou quinta feira, esteja Orion ou Escorpião no céu.

Vieste e amaste me numa altura em que eu nao conseguia amar me a mim próprio. E assim te amo.

E vamos ter tudo, e temo mo nos a nós, e bem vistas as coisas, isso chega nos.




segunda-feira, 4 de maio de 2015

Como diz a música dos Ornatos, "a cidade está deserta" e eu só não escrevo o teu nome em toda a parte porque é ilegal. Não que eu nunca tenha feito nada ilegal, ou que tenha medo, só acho que o mundo é feio de mais para o teu nome ser escrito nele, ou o meu.
Foda-se o mundo é tão pequeno, que podia dar lhe as voltas que quisesse que iria dar sempre ao mesmo sitio: a teu lado.
Que posso dizer? Sou um lamechas, um mimoso, um piroso. Mas acima de tudo, sou teu.
Porra se sou, o meu sorriso só aparece quando estás, o meu corpo só aquece quando falas e as minhas palavras só fazem sentido quando são para ti.
Isto tudo pode parecer exagerado, as palavras de um romântico clássico, o discurso de um sentimentalista, talvez até seja algo de uma hipérbole, talvez até seja exagerado, mas apenas o é para competir com o amor exagerado, saudável, louco e incontrolável que tenho por ti.
Foda-se que te amo. E se o mundo é assim tão feio, que nós estejamos cá para o contrariar.




quarta-feira, 29 de abril de 2015

Singing Georgia On My MInd

Sinceramente quero dar mais que receber de ti.
Porque o altruísmo também é um prazer. E porque num prazer egoísta sei que quanto mais der, mais recebo.
Sim sou egoísta. Porra! Sou tão egoísta que te quero só para mim!
Tenho a dizer que tenho ciúmes da tua cama. Deitas te com ela todos os dias!
Mordo-me sempre que não estás nos meus lábios e o mundo cabe-me na palma da mão quando entrelaças os teus dedos nos meus.
Estou para aqui no romantismo mas a verdade é que não há mundo que caiba numa cama em que estejamos os dois.
És o que eu preciso, mas mais que isso, és o que eu quero.
"You're the one I follow"




quarta-feira, 22 de abril de 2015

O amor é uma loucura

Estou louco, em todos os sentidos da palavra.
Bem, sempre o fui. Sempre fui o miúdo passado da cabeça que ama o mundo, ama as pessoas e ama-te a ti, e haverá mais louco que isso?
Estou louco acima de tudo por ti, deixas me assim.
Louco pela maneira de andar, pela forma que entras na cena com toda essa confiança e nariz empinado, pela maneira com que mostras a quem te conhece que no fundo és uma criança grande que adora desenhos animados, chora no "À Procura de Nemo" e tem medo de trovoada, louco pela mulher que te vais tornando, que persegue os seus sonhos, não esquece o passado, mas olha para o futuro com um brilho nos olhos e um passo acelerado.
Eu amo-te, não é hipérbole, nem um conceito vazio, é verdade pura e dura. E gosto de me ver nesse futuro com que sonhas.
Gosto de me ver contigo, nas viagens, Japão, Índia, e os clichês, Paris, Londres, o mundo espera nos; de nos ver na cama, quero percorrer o kamasutra contigo, 5 vezes; quero ver nos um altar com todos a aplaudirem, quero uma lua-de-mel em Krabi, quero ver nos numa maternidade, 2 vezes de preferência, quero envelhecer contigo, e passar os meus dias num alpendre a teu lado virado para a praia, a lembrar as histórias que se estão a passar agora e que se vão passar.
Quero entregar-me a ti de corpo e alma, quero viver, tu fazes me viver.
Quero que tornes os meus segundos em horas, que dividas a minha cama, que me faças perder, e me faças encontrar-te.
Quero isto tudo eventualmente
Mas de momento
Quero te a ti.


"And I'll be yours to keep"



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Não precisa de fazer sentido para o ser

Ah pois, nem sei.
Sinto-me bem. Como não sentia à tanto tempo.
Sinto que algo faz sentido, não a minha vida porque essa nunca há de fazer sentido, mas um rumo.
Imaginem. Finalmente descobri o que quero fazer com a minha vida, tenho planos e sonhos como não Me aparecia à tanto tempo.

Só sei q andei no vendaval e achei abrigo.
E perguntam onde?

Vejam no sitio menos provável.
Em quem vos rodeia,

Quem me ama, naqueles que estão comigo todos os dias e em quem conhece cada
Um dos meus pormenores, cada defeito e cada qualidade, cada segredo e cada partilha,
Aqueles com quem partilho tudo, aqueles que agarram em mim e me colocam num rumo, até pode Não ser o certo mas conseguem reconhecer, por mais que neguem. Que quando se navega sem 
Destino nenhum vento é favorável.
Olhem, sinto-me tão lamechas e tão nhonho como nunca senti, sinto que SEI pela primeira vez.

Es tu, quem me faz rir pela manhã, que me faz feliz.
Sou eu, quando me olho ao espelho e gosto do que vejo
Todos os que estão comigo.
Ou àqueles que não estão.
Um enorme obrigado

Agradeço por me fazerem quem sou
Por me terem deixado fazer parte das vossas vidas,
Ainda que por vezes não seja o melhor.
Intencionalmente ou não vocês fazem quem eu sou. Enquanto uns vão fazendo
Xeque-mate, eu vou jogando.
Ou vou aprendendo a jogar melhor.
Nem sei se sei jogar.
Ainda que tenha feito uns jogos.
Dizem que quem espera sempre alcança.
O povo nunca esteve tão certo


Bem haja, a todos aqueles que estao comigo e fazem o melhor que podem.
Incentivam- me tanto.
Agradeço-vos ainda mais.







domingo, 22 de março de 2015

Love is what you're made of

And you'll love like you've never been loved
You'll live like you were born today
Because that's life for you
And that's your life

And you'll live your life
Because you have to

And you'll hope, and scream, and smile.
And cry, and sob, and swear
And you'll be lonely

So sing everything you can
When you love

And you'll love with all of your body, heart and soul
And you'll wonder how can someone love like this
And you'll realise
Only you can love like this.

And your bones will make you
And love will break you

And you'll laugh like you've never been lonely
Only because we're lonely
And always here.
And here for always.

Always with you
Always for you
Even when I'm lonely





sábado, 14 de março de 2015

Mata-me

Mata-me como quiseres.

Mata-me a curiosidade;
Mata-me a fome;
Mata-me a vontade;
Mata-me de experiencias;
Mata-me a torto
Mata-me a direito;
Mata-me de abraços;
Mata-me de gritos;
Mata-me de beijos;
Mata-me de olhares;
Mata-me de paixão;
Mata-me de vergonha;
Mata-me de humilhação;
Mata-me de desinibição;
Mata-me de gemidos;
Mata-me de orgasmo;
Mata-me de surpresa;
Mata-me de admiração;
Mata-me de prazer...


Mas acima de tudo.

Mata-me bem


que eu sei que me consegues matar de uma vez.
Mata-me para que eu não volte;
Mata-me no fundo do poço;

A execução tua é morrer para a vida.


A vida são 3 dias e eu vendo 2 para passar um contigo.

E que nesse dia me mates, suavemente como só tu fazes.

E mata-me de amor, se puderes.




















quinta-feira, 5 de março de 2015

Eu vejo coragem
E coragem é saber
E saber é poder
E poder é querer
Querer é amar
Amar é dar
Dar é receber
Receber é sobrevalorizado
Sobrevalorizado é a vida
A vida sou eu
Eu sou tu
Tu és o que tu quiseres
O queres é o mundo
O Mundo é ordinário
Ordinária é a metáfora
A metáfora é inútil
Inútil é o poeta
Poeta é visionário
Visionário sou eu
Eu sou tu...

Boas adjetivos ficam
Infantis talvez
Apenas para quem as compreenderá









segunda-feira, 2 de março de 2015

I'll come around

(Era uma vez um ele, e uma ela. Desconhecidos um para o outro.
Independentes na sua vida, dependentes na vida do outro.
Sem suspeita ambos caminhavam para o momento que mudaria a sua vida,
Da forma mais bonita que a natureza pode oferecer:
 

      - Prazer em conhecer-te.


E nesse ele e nessa ela eles encontraram-se sem o saberem, e o amor começa ainda antes de começar.

   
      - Prazer em estar na tua companhia.


E ultimamente eles encontram-se nos lençóis porque é aí que se descobrem melhor, e se amam.
A cama partilhada é o maior desconhecido de todos mesmo quando é a nossa.

 
      - Foi um prazer estar contigo.


E um puto era o que faltava na sua vida conjunta e pseudo-independente.


     - E como lhe chamamos?
     - Sempre gostei de Bernardo.
     - Prazer em conhecer-te.


Mas o puto cresceu. "Sou um homem" - dizia ele.

Ao contrário do pai que toda a vida foi um jovem.

"Não olho para as rugas, prefiro olhar para a ausência delas" - repetia ele várias vezes.


Ninguém o sabia mas na verdade ele tinha ouvido esta frase na televisão.

Mas o puto foi se embora como todos os bons putos e como todos os homens.


     -  Foi um prazer ver-te crescer.


E a caricata relação dos nossos dois "eles" continuou. Até ao dia em que não podia mais continuar.
"Até que a morte nos separe" - disseram eles um dia. Que ingénuo da parte da morte achar que pode separar um amor assim. "Deus escreve direito por linhas tortas, mas não é mais torto que eu".

E ela chegou, eventualmente, para ambos, ele antes dela, e no seu último suspiro ele disse:


     - Foi um prazer conhecer-te.)




E ambos acordaram ao som do despertador, cada um na sua cama, separados por duas famílias distintas mas sempre desejando-se mutuamente. E continuaram desconhecidos e pseudo-independentes. Sempre acompanhados e sempre sozinhos, nunca verdadeiramente satisfeitos.

Mas felizes, sem nunca terem conhecido a felicidade.
Mas ela anda aí, à distância de um:



     - É um prazer conhecer-te...
















sábado, 28 de fevereiro de 2015

I don't wanna know

Sabes que sempre me considerei um poeta. Não porque escreva poesia mas porque penso como um.
Um sentimentalista, romântico por excelência, lamechas (até porque estes 3 adjetivos são quase sinónimos).
Mas apesar disso (e ao contrário de ti) eu não vivo em verso, em frases pequenas e individuais.
Até porque o poeta é isso mesmo: um cabrão que não se esquece, que não anda em frente e cada um dos seus poemas tem um toque dos anteriores. .
E como uma peça de música atonal ou um quadro de Picasso o poema não se percebe assim à primeira ainda para mais quando é sobre ti.

Porque eu podia escrever a vida inteira sobre as curvas do teu corpo e o prazer obsceno e culpado, e talvez até seja isso que faço.
E a literatura são eles.
Tu e eu não, não somos poesia mas podemos muito bem ser arte.
A única arte que sei fazer.
O poeta muda tanto o poema como o poema o muda a ele.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Não preciso de céu.

O céu é uma ilusão.
Criada por aqueles que tem medo de viver e
esperam pela hora da morte.
Porque esperar pelo céu, quando este se encontra na Terra?
E todos nós conhecemos o céu.
O céu está nos braços daqueles que nos abraçam muito antes de morrermos.
E isso é um céu melhor que qualquer jardim divino ou pátio celestial, para o qual vou ter que esperar para chegar...
Prefiro o céu na Terra, ao qual tenho a certeza que vou chegar, em que o contacto é real, a intimidade é verdadeira, e não há nuvens nem anjos nem Deus.
Apenas eu e quem eu quiser
E aí está o céu...

num simples abraço e em 2 pessoas...





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

De: Mim

Para: O primeiro dos meus problemas


Ola! Lembras-te de mim? Aquele puto que nem beijar sabia (não que tenha ficado muito melhor a fazê-lo)?
Duvido...
Mas pronto passados 3 anos cá estou a chatear te a cabeça outra vez.
Só vim para te dizer que encontrei a tela que me deste nos anos, apesar de simples era linda.
Pensei em queima-la quando te foste embora,  mas atirei-a para um armário e lá ficou... tão perdida quanto o meu amor por ti na altura.
Éramos ingénuos, tudo o que tínhamos por mais estranho, novo e inocente que fosse, parecia que ia durar para sempre.


Porra, ainda bem que não durou.




Mas foste a primeira e, na altura, a única.
Custou-me tanto quando te foste, mas ainda bem que foste, sou muito mais feliz agora...

Se o meu mundo girou à volta de alguém foi porque tu o poste a girar...

... e por isso te agradeço...

... e por isso te esqueci...










sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je suis Charlie

Assim que vi nas noticias soube que tinha que escrever sobre este assunto. A humanidade está cada vez mais estranha, se havia alguma coisa que tomávamos como garantido era a liberdade de expressão. Esse princípio que dizia que cada um pode dizer e criticar o que quiser sem ser repudiado ou perseguido por isso.
Há uma passagem no Corão que diz:














Então expliquem-me qual foi o objetivo desta tragédia? Matar a Charlie Hebdo? Acabar com a liberdade de expressão? Enviar uma mensagem?
Charlie Hebdo é mais que um jornal com imagens engraçadas, Charlie é um ideal, e os ideais não morrem e aquele atentado é a prova disso...
Um ideal de "liberté", são eles os primeiros a criticar aquilo que consideram errado e a expressar a sua opinião na sua forma mais discreta: a sátira.
Mas depois do ataque Charlie tornou-se ainda mais que isso, depois do ataque Charlie passou a personificar todos os humoristas, jornalistas, repórteres, escritores e todos aqueles que usam a sua liberdade de expressão.
Os ideais não morrem e alguém há de tomar o testemunho, porque a humanidade tem muitos problemas mas fico orgulhoso de ser parte de uma humanidade que está a apoiar e se esforça em não deixar Charlie Hebdo cair no anonimato.

3 homens pintaram aquele dia de vermelho e preto para tentar enviar uma mensagem.


E a humanidade respondeu à medida...


... Je suis Charlie...


... Tu es Charlie...


...Tout le monde est Charlie...


... Et nous sommes libres...


















quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

- Não sei... - Detalhes meu amigo, detalhes...


Nunca soube...

Tanta coisa... que eu não sei.

Não sei a beleza da aurora boreal. Não sei se o mundo acaba amanhã, ou até hoje. Não sei se o mundo é justo. Não sei o que Deus exige ou se Ele existe. Não sei se posso cumprir tudo o que prometi. Não sei quem será (ou quem foi) o amor da minha vida. Não sei o quão frágil sou ou qual é o ponto de ruptura. Não se já caí o suficiente ou se vou ter que cair mais. Não sei se alguma vez fui amado por alguém. Não sei se vou ver o nascer do sol amanhã. Não sei se te olhe nos olhos para não me ver refletido neles. Não sei a cor da tua roupa interior. Não sei se acabarei sozinho. Não sei se pinte a vida em tons de azul ou cinzento. Não sei se deixe alguém pintá-la comigo. Não sei o que é sexo. Não sei continuar em frente. Não sei ficar parado. Não sei o que é o amanhã. Não sei se escrevo alguma coisa de jeito...

Mas isto são tudo pontas a limar, pois é aí que se encontra a beleza da vida...

... é no desconhecido...


... e nos detalhes...





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.