quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tangerine Skinned Bastard

How does Donald
The racist, narrow- minded millionare, bald sexist mogul,
Campaigning on a whim,
Wins the race and destroys what's left of the U.S reputation

WELCOME FOLKS TO THE TRUMP ADMINISTRATION!

He is the leader of the most influent government,
Why did you chose to burn instead of the Bern over him?
"You're fired", he said while trying to get on his daughter and dropping his pants and the bombs,
(Incest)

The world gave their response...

STEP DOWN TRUMP YOU FAT MOTHERF-!!!!






                                         
                                                                                          The Original Cast of Hamilton- The Adams Administration







sábado, 10 de setembro de 2016

Tilia, trevo e betão

A modes que hoje tive a certeza que a minha vida vai mudar. Vejo toda a gente feliz à minha volta, e não me levem a mal eu também estou a rebentar de felicidade pela mudança... mas bem... estou e não estou.
Sempre adorei mudança em tudo o que pudesse mudar, mas tenho que admitir que não consigo deixar de sentir aquele frio na barriga e aquela estranheza na previsão do que vai acontecer.

Vou para a cidade

Sou um rapaz do campo, cresci entre galinhas e perus ("píruns" se vierem donde venho). Subi às árvores e esfolei os joelhos a jogar à bola num campo que só podia ser equiparado a um campo de batatas. Aprendi os animais e as plantas que havia no quintal da minha avó (apesar de até à pouco tempo não ser capaz de distinguir salsa e hortelã... hei sou do campo, mas não era o cozinheiro...). Descobria atalhos até casa pelos quintais dos vizinhos, distingo o pombo da rola e o melro da cotovia, tomava banho nos tanques, tive um grilo de estimação, incomodava o bicho-da-conta só para o ver enrolar-se, acho que "aventar" é uma das palavras mais bonitas do mundo, e enquanto escrevo esta frase o galo do meu vizinho anuncia a madrugada a quem o ouvir.





Agora vou ter uma volta de 180º








Vou para a cidade grande, trocar os galos pelas buzinas, o silêncio pelo caos, as árvores pelos arranha-céus, as açordas pelas refeições rápidas e os atalhos dos quintais pelos horários do comboio.

Trocar este sossego pelo escabeche da cidade

A cidade é tão grande, e eu tão pequeno...

Mas talvez isso funcione a meu favor. Ser pequeno, pequeno como o grilo na minha gaiola. Nunca lhe dei um nome. Talvez eu na cidade possa ser mesmo isso, sem nome. Desconhecido, incógnito, um. Posso aprender a ser, sem ser. A existir, numa existência passiva-agressiva, em que me atiro de cabeça ao mundo, mas sem ser mais do que o que sou.

Talvez um dia a cidade me engula. Ande arredio. Talvez quando voltar ao campo já não conheça o alecrim. Talvez me torne cidadão.

Mas como dizemos aqui no meu belo Alentejo "tenho que m'àguentar com esta moenga"

Tenho medo de me afogar na confusão, sim estou assustado.

Mas vou fazer o melhor que faço sempre, sorrir à mudança...

E adaptar-me. Porra.





sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Calma da Loucura



Vou escapando. Escapando da mente aos poucos. Mas já chego a essa parte.
Agora tenho a dizer que é desta. É desta que eu enlouqueço de vez.
O mundo desliza aos poucos lá fora, e eu escapo aos poucos cá dentro.
A capa do meu CD preferido está meio partida por causa do uso.
A música é um atrofiado de cordas e violinos e palavras sem sentido.         
                                                                                                             

                                                                                "fuckify everything"


 Os quadros e desenhos do meu quarto dizem me mais que as fotografias emolduradas.
As guitarras estão afinadas em afinações atonais.
As minhas notas estão em todo o lado. Durmo com o bloco debaixo da almofada.
Nunca se sabe o que vai aparecer em sonhos. 


Spoiler Alert: és sempre TU



Todo o processo de fugir da mente tem repercussões. Especialmente na imagem. Mudanças drásticas, no penteado, na roupa. Nota-se na sede de contacto e na sede de fazer. Fazer coisas. Todo o tipo de coisas que possa exteriorizar a fuga do que está cá dentro.





A mente precisa de escapar. Para longe, dentro de si própria.
Para o fundo de si própria. Escapar para as coisas sem sentido,
para as coisas que não necessitem muito trabalho da mente:

Falo do escapismo para a escrita, para os sonhos, para a tinta, para a música, para o amor e para tudo o que faz a mente deixar de funcionar. E faz trabalhar o coração.


E l e S  c H a M a M - l H e  A r T e . . . eu chamo-lhe fuga





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bloqueio

Tenho o meu computador ligado à minha frente na secretária e de fundo dá a música que escolhi para me "inspirar". Está quase tudo pronto. Tenho a temperatura adequada e tenho a certeza que ninguém me vai chatear.
Está tudo pronto para uma sessão de escrita. Se calhar é hoje! Se calhar é hoje que escrevo o meu magnum opus!
Tenho a cabeça a mil. Não escrevo nada de jeito à tanto tempo. Hoje vou fazer uma coisa de que fique mesmo orgulhoso.

É agora. Vamos a isto.

Sento-me e... nada...

Absolutamente nada!!!


Nada! Nem uma frase, um conceito, um inicio. Zero, bola!
Que frustrante!
É como tentar ganhar um concurso de pintar o quadro mais colorido, mas só ter tinta branca...

Então tento brincar com as palavras como se fossem comida num prato e eu sem fome. Criar frases articuladas, mas quanto mais escrevo menos sentido me faz.
Olho à minha volta à procura de ideias mas as coisas são só coisas. Não tem segundos significados nem várias camadas de innuendos. São pura e simplesmente coisas, tem a sua forma apenas e são uniformemente sem cor.

BAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Apetece-me gritar as paredes sem cor. É frustrante ter milhões de coisas presas dentro de ti à espera de sair, mas não ter maneira de as deitar cá para fora.

Podia deitar as coisas cá para fora simplesmente... dizer diretamente as coisas sem ter que se ler nas entrelinhas. Referir as coisas pelo nome, visto que as coisas no fundo são só coisas. Isso seria muito mais fácil.

Mas assim seria aborrecido. As pessoas gostam de desafios. Especialmente quem os cria para si próprios como eu que estou em frente ao computador a espera que algo se escreva por milagre ou "obra e graça do Espírito Santo".

Então escrevo, não escrevendo tudo aquilo em que pensei escrever. Escrevi no entanto, sobre o facto de querer escrever mas não conseguir escrever tudo aquilo que quis escrever.
Escrevi portanto sobre escrever.





quarta-feira, 27 de julho de 2016

Estrelas metafóricas e devaneios madrugadores

Uma coisa que vos posso contar sobre mim é que adoro as estrelas, mas tenho um amor especial à estrela polar. Não passa uma noite que eu não olhe para ela e não a admire, lá no alto, num sitio tão alto onde eu nunca chegarei. Eu olho-a à distância e o brilho que dela vêm mantém me orientado, mantém o meu caminho certo e seguro. "A minha direção é aquela estrela" - penso eu para com os meus botões.


É sem dúvida a estrela mais bonita que há no céu, apesar de nem sempre ser a mais brilhante.
Sei que consigo encontra la sempre que me perca, passei muito tempo a descobri la na noite para a saber encontrar em todas as situações, sem importar o quão escura ela esteja.

Mas cá está, é uma estrela. O que é um simples ser humano comparado a um corpo celeste? O que sou eu que apenas a admiro à distância contra um ser estelar com um brilho próprio e contagiante?

Sempre fui ambicioso, sempre quis o céu e os astros.
Talvez um dia me torne astronauta. E consiga conquistar a estrela.



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Wanderlust

O sitio onde escrevo (que por acaso também é o sitio onde durmo), parece um forno nestas noites de verão.
Está um calor insuportável aqui, juro. Eu estou deitado em cima da cama, sozinho e a derreter e imagino todos os sitios onde queria estar agora (spoiler alert: nenhum deles é a rua da estação).
Com alguém nos meus braços, ou nos braços de alguém, bem longe.

Imagino-me em cima do capot de um carro, no meio do nada, com uma música qualquer, numa rádio qualquer, nesta noite, ou numa como esta, a ensinar constelações e a contar histórias da treta sobre as estrelas.

"Sabes a história de Altair e Vega?"

Ou então numa praia qualquer do mundo, daquelas que se vêem nos postais e nos filmes. Areia da cor do pôr do sol e água limpida como nós. Com um mojito numa mão, daqueles com uma sombrinha e uma palhinha que dá 30 voltas ao copo, a fazer um brinde à vida.

"A nós, à vida, e que ela nunca mude."

Ou até num quarto de um hotel ranhoso, no fim do mundo. Com uma tempestade dos diabos na rua. Numa cama de paletes e um colchão. A fazer planos para o futuro entre trovões e relâmpagos.

"Se me aqueceres neste frio, eu protejo-te dos trovões. Pode ser?"



Vamos embora. Estou em casa sozinho e está um calor dos diabos.




















domingo, 3 de julho de 2016

Até a lua

Deve haver coisas que odeio em ti... certo?

Odeio saber que choras, odeio saber que as lágrimas te caem e eu nada posso fazer. Sinto-me inútil, impotente, desnecessário, supérfluo.
odeio que chores, pessoas como tu não deviam poder chorar, devia ser ilegal. Pessoas amadas não deviam chorar.
Odeio a forma como não vens ter comigo quando queres chorar.
Odeio saber que tens defeitos e que um deles é chorar como uma criança. Defeitos vários que variam entre mudanças repentinas de orgulho e a pouca noção de uns ombros largos que pensam ter o peso do mundo neles.
Talvez odeie tudo aquilo que dizes e não me diz respeito? Odiar tudo aquilo que dás a outra pessoa que não eu?  A forma como andas? A forma como danças? A forma com que me fazes desejar-te às paredes? A forma como não vens quando te chamo? A forma das minhas lágrimas para ti?

Odiar as minhas palavras para ti.

Odiar o amor
Odiar o que me faz sentir
Odiar- te a ti por me fazeres sentir amor
Odiar- te a ti por me fazeres feliz

Odiar tudo

O amor é um filho da puta.

E eu talvez deva odiar-me
E eu talvez deva odiar-te

Mas não...


Já sei o que odeio...

Odeio o facto de não te odiar nem um bocadinho.

E odeio que o ódio seja o sentimento mais próximo do amor.




E é isto

"E no momento em que acabou, eles aperceberam-se que tinham vivido algo de especial"
Estas são as únicas palavras que me passam pela cabeça ao escrever isto. Estou sentado num sofá e os meus companheiros já dormem todos, sim companheiros, é exatamente a palavra que procurava. Eles dormem porque amanhã é mais um dia de festa (se bem que com este pessoal, todos os dias são de festa) e eu sento-me a escrever.
Porquê? Porque esta semana descobri algumas coisas muito interessantes: descobri que aquele clichê que diz "os amigos são a familia que se escolhe", é verdade. E descobri de que material a maior parte da vida é feita.

A vida meus caros, é feita de pirâmides de mini e garrafas de moscatel, de shots pagos pelo dono do bar, de caipirinhas feitas sem saber ou então cachaça com açucar. De caminhadas de 4 km até à praia e escaldões de Joni Lagostim, de ficar a saber os hits todos de cor porque a Comercial e a RFM passam as mesmas músicas 500x por dia à vez. De celebrar a pátria como se não houvesse amanhã, dizer mal do Renato Sanchez até ele marcar golo, ser treinador de bancada durante os jogos da seleção, celebrar quando o ciganão entra em campo e quase sofrer uma trombose quando o jogo vai a penalties.

A vida está entre bares de reggae e bares da praia, entre fotoshoots e sestas na areia, entre o "Isso Bar" e o mini-bar. A vida está na promessa de bater a Liga Knockout e de regressar.

E acima de tudo, a vida está neles, aqueles que agora dormem e tornam todos os dias numa aventura.

Obrigado companheiros.









quarta-feira, 22 de junho de 2016

Caír aos poucos

Olhei me ao espelho hoje. Com olhar eu quero dizer, olhar com olhos de ver. Notar todos aqueles detalhes que eu adoro notar nas outras pessoas mas odeio ver em mim. Desabituei-me a fazê-lo. Não sou o tipo de pessoa agradável aos olhos, e neste momento, pelo que vejo no meu espelho, não sou agradável de todo.
Tenho marcas nas maçãs do rosto, e tenho-as mais salientes o que significa que perdi peso, provavelmente. Tenho a (pseudo)barba por fazer, obviamente está cheia de falhas (e só aqui entre nós parece-se bem mais com um monte de pelos púbicos que uma barba). Tenho o cabelo atado apesar de não ter cabelo suficiente para o atar bem, cai-me para a frente dos olhos mas não tenho paciência para o pentear. Tenho a mesma roupa à mais tempo do que devia. Uns calções cinzentos e um wife beater preto. Tenho um ar desleixado, de vagabundo.
Mas no entanto é no meu quarto que me sinto mais vagueante, inconstante, sufocado, confuso, meio-amnésico, farto, e acima de tudo, sozinho.
Sei que não o estou, mas nesta altura da minha vida é a única forma que me consigo sentir. Tantas decisões para fazer, e cada uma delas me faz sentir mais afastado de tudo.
A pressão das decisões apenas pode ser comparada aquela que se sente no fundo do mar. As expectativas estão tão altas e eu nunca gostei de ter expectativas de qualquer tipo.
A parede branca nunca esteve tão branca, o calor nunca esteve tão frio, as estrelas nunca estiveram tão longe, o whiskey nunca teve tão forte, a musica nunca esteve tão triste, e eu nunca me senti tão desinteressante.
As palavras escapam-me naturalmente e isso é mau sinal, porque posso acabar por dizer coisas que não queira.
O mundo está mesmo sem cabeça? Ou sou eu que a estou a perder aos poucos?

Escrevo muito, mas nada que se aproveite. Penso muito, mas nada que se aproveite.
Devia mudar de roupa.





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Voltemos ao romantismo

Amor não é o altruísmo, antes pelo contrário. Amor é o egoísmo do ser. O amor
tem que ser egoísta para existir. É o desejo da exclusividade.
Qual seria o objectivo de querer alguém se depois não me importava de partilha-la? Amo-a, claro que não quero partilhar.
A guerra de Tróia começou por amor. Um homem disposto a sacrificar a sua vida, e talvez mais importante, dos seus soldados, por causa de uma mulher. Se isso não é egoísmo, então nao sei o que é. Mas também se não é amor, eu também não sei o que é.
Sempre fui egoísta com as pessoas, nunca com as coisas, nem com serviços ou ajudas, mas sempre com as pessoas, no que toca a amizade e, especialmente, ao amor sempre fui egoísta.
Sou um amante egoísta que abdicava de todos os holofotes do mundo se pudesse estar algures no centro da atenção de quem eu amo.
Amor é requisitar tempo, atenção e carinho de alguém que tem isso tudo e muito mais vindo de nós. Amor apenas serve às pessoas que se amam e mais ninguém. E é por isso que é egoísta.
Parece egocêntrico, mas é apenas amor.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Deus deu nos brinquedos para nos divertirmos

Todos gostamos de brincar, com as mãos, com nós próprios, e acima de tudo uns com os outros.
Brincamos com as palavras, para que nos prestem atenção. Brincamos com a música para que leiam nas entrelinhas. Criamos mitos à nossa volta para sermos mais apetecíveis e esforçamo nos demais nas coisas que deveriam ser naturais e orgânicas.
As mãos é o que dá inicio à brincadeira, é o batedor, que faz a compreensão do que está para (se) vir. Depois elouquece-se, e torna- se instintivo como um cão raivoso, as mãos brincam, o corpo brinca, mas acima de tudo a mente brinca. Deram nos um brinquedo quando nascemos, seria uma pena não brincar.
Sim, porque estando a vida dura, nós não deveríamos estar também?

Deus deu nos
 um brinquedo
E depois queixa se
se o usarmos?
Pecado seria não aproveitar o lado animalistico de nós.
Somos animais, às vezes devíamos agir como tal. Oiçam o
 ritmo do bombo... Subam o tom... Subam oitavas inteiras até
a música ser música para os vossos ouvidos, ate a vossa
Imaginação estar longe, com quem vos der na gana.
E a percussão
Chegar ao clímax
Como todas as
musicas decentes.

Vão e deixem-se vir.







segunda-feira, 2 de maio de 2016

La fille danse

(Acordei de manhã na nossa cama.
Já estavas acordada. Olhavas me, suponho que já à algum tempo. Sorri. Se o tempo tivesse que parar,
que parasse agora. Contigo a olhar me nos olhos.
A dança apertada que se faz num espaço pequeno como aquele vale torna-o maior que qualquer salão.
Tudo o que se sente surge em palavras curtas, expelidas como gemidos e ditas com o maior dos sentimentos. Como uma música francesa. Um "La Vie En Rose" perfeito.
Penso je l'aime des fois, sempre quis apreciar Paris com alguém sabias?
Uma cidade tão grande, com alguém tão grande, só pode servir para alimentar o meu ego tão pequeno e tão egoísta.
Vês? Ainda agora acordei e já os teus os teus olhos me levaram para longe.
Esta é daquelas manhãs que dura a tarde toda...

Podiamos ficar a olhar nos, só nós, nos olhos, porque sim. Se isso não é viver não sei o que será.
E podiamos tocar-nos, dançar com os dedos na pele um do outro. Podiamos aproximar nos e fazer o que os coelhinhos fazem. C’est comme ça. Ou então podemos sonhar acordados, fazer viagens sem sair da cama, imaginar que o faremos quando arranjar mos a coragem de nos largar e levantar do calor da cama.

Somos assim, sem devaneios, sem complicações, só nós existimos, só nós precisamos de existir, somos maiores que o tempo, não há tempo que nos chegue, a cama é o nosso mundo e tu és o centro dele.
Deixo-me ir com o calor do teu corpo e dos lençois, os olhos ficam-me pesados e deixo-me ir. É uma boa vida.)

Acordei de manhã na minha cama. 
Estava sozinho. A sonhar somos felizes. Afastados mas sempre juntos em mim. Talvez em ti também. Sonhemos muito, mas bem. O sonho faz a realidade valer a pena.
C'est la vie.









segunda-feira, 25 de abril de 2016

O Sol brilha para todos

Eu não sei o que espero. Nunca fiz as melhores decisões e passei a vida a pedir permissão a quem ma desse. Fugi e escondi-me.
Mas sei o que quero e quem quero. Sozinho chorei de mão dada e chorei de mão fechada. Estive num um-para-um com Deus várias vezes. Ganhei sempre a discussão. É pretensioso, discutir com alguém que não nos responde, mas eficaz.
Não sei o que espero, mas espero. Talvez queira ver se o carvão se torna em diamante. Talvez espere uma resposta de Deus, ou quem eu queira. Ou talvez quem eu queira seja o meu(minha) Deus(a) e a minha religião: o amor puro, o pecado do desejo e todas as intimidades, da arte da pele branca de coco, da submissão aos instintos.
Porra! Se houvesse uma religião assim eu era o Papa.

Mas parece que vou ter que esperar. Não tenho tempo. Mas espero na mesma. Esperar para tocar em pele de coco, olhar em olhos profundos, esperar pelo contacto corporal que não vai ser iluminador e catártico, mas simplesmente harmonioso e íntimo, esperar para voltar a pôr "meu amor" no final do título dos meus pseudo-textos. Esperar para usar a palavra "pseudo" na situação em que gosto de a usar...

Esperar para poder dizer que não é como o Sol. E é só para mim.







sexta-feira, 15 de abril de 2016

Interpretações (na pele de Florence Welch) - Delilah

Delilah - Florence and the Machine (Interpretação da letra)

Apesar de deambular com o nascer do sol mais bonito à minha frente, tenho os olhos no telemóvel à minha frente. Liga-me. Já. Estou à espera.
Estou impaciente, eu sei. E também sei que não devia estar. Mas agarro-me à esperança de uma chamada. Onde andas?
Espero pela tua voz mas não quero esperar. Mas não é como se tivesse escolha. És como és e fazes o que fazes. E eu nada posso fazer.


O sol encandeia-me os olhos sensíveis. Sem forma de aguentar a luz. Cega.
Tu, a noite e a bebida puseram-nos assim. Por falar em bebida, vamos encher um copo para passar o tempo, não fará mal nenhum.
Continuas sem me dizer nada. Onde estas, homem? Encara-me. Liberta-me.

Talvez isto seja um aviso para o perigo. Quando não se vêem os sinais e se ignoram os sinos.
Dalila fez o mesmo a Sansão. Deitou-se com ele, e cortou-lhe o cabelo enquanto ele dormia, tirando lhe a força, depois deixou-o para ser capturado, cegado e humilhado. Posso dizer que a minha raiva é igual à de Sansão depois disso. E ele derrubou os pilares de um templo...

... mas o templo caiu lhe em cima. Tal como tu me fazes ruir a mim. Ensinaste me a dançar apenas para me fazer dançar para ti. E eu nunca parei de dançar.

Porque? Porque eu, pobre rapariga que sou, sou Sansão. Mas queria ser Dalila. Talvez se te magoar como tu me magoas eu me liberte. Mas a verdade é que ainda estou à espera da tal chamada. Como eu te cortava o cabelo se conseguisse...

Será que sou não que não sei escolher. Cada tiro, cada melro. Cada rapaz, cada mentira. Sem sorte.
Talvez seja por sorte que existam aqueles comprimidos da sorte que ajudam a esquecer e a passar o tempo.
Eu vou ficar bem. Eventualmente. Quando eu quiser. Mas hoje não. Hoje não quero.

Sinto me um pano molhado estendido à varanda. Perdendo cada vez mais a cor cada vez que sou exposta assim.
Como a Sansão, tiraste me as forças, Dalila. Fui cegada e acorrentada por causa de ti. E não me libertei, não... em vez disso aprendi a dançar para ti, e arrastei as correntes.

E agora... o templo cai me em cima.




segunda-feira, 28 de março de 2016

Jesus devia ter entrado em coma alcoólico

Às vezes gostava de me atirar de uma janela e não morrer. Atirar me e bater nas pedras da calçada. Com força. Bater e não morrer, apenas sentir a adrenalina da velocidade terminal e o impacto da primeira lei de Newton.
Depois levantava me e ia à minha vida.



O que se faz quando não se sabe o que fazer?
Talvez beber, apanhar uma bebedeira tão grande como a que Jesus devia ter apanhado na ultima ceia (se ele sabia que ia ser preso a seguir ao jantar e havia vinho na mesa porque não aproveitou? Ele até sabia transformar agua em vinho) talvez experimentar daquelas coisas que alucinam, talvez foder daquelas pessoas que não nos dizem nada, ou talvez dormir e sonhar com todos os "talvez" aqui referidos.
Talvez seguir um caminho diferente ao desejado na esperança de um dia encontrar um atalho.


O que se diz quando não se sabe o que dizer?
Quando se ouvem palavras de amor vindas do fundo de um poço. Quando o silêncio sussurra à solidão as palavras mais bonitas que ouves. A resposta é nula, manchada de sangue e pontos de interrogação. Cai se de joelhos e cai se bem, como o cair de um miúdo a jogar à bola. Esfola se os joelhos mas continua se porque tem que se ganhar o jogo, pelo bem da equipa.

Ophelia, you've been on my mind like a drug...




domingo, 14 de fevereiro de 2016

Obrigado meus artistas!

Poucos textos me foram tão difíceis escrever como este.

Mais um ano e mais uma gala. Pensariam que o hábito já os teria imunizado da pressão de palco. Mas a vontade de fazer mais e melhor torna-os autênticas canas ao vento. A ansiedade de entrar em palco para despachar a coisa só lhes dá vontade de esmurrar toda a gente.
Ouvem se as pessoas chegar e o burburinho por detrás da cortina, elas querem um espetáculo, eles querem dar-lhes O espetáculo.
Por trás da cortina todo um conjunto de pessoas faz uma oração. "Merda! Merda! Merda!" - acaba assim a oração, dizem que tráz boa sorte aos artistas, quem diria que até ao final da noite se iria repetir esta palavra mais umas tantas vezes.
No fundo aquele conjunto de pessoas, não são só artistas, são amigos, mas são também aquela palavra que usamos quando nos queremos referir a pessoas que nos são tão queridas que nem sabemos o que lhe chamar: família.
Quem diria que um conjunto de personalidades diferentes, fortes, enormes e talentosas se iria juntar para formar um espetáculo que iria marcar a vida de cada um, possivelmente até ao final desta.
Estes ultimos dois parágrafos juntamente com "Foda-se vai começar!" deve ter sido o que passou na mente de cada um daqueles jovens antes da cortina se levantar. O nervosismo tomava conta de nós.
Então e quando a cortina se levantou?
Aí é que eles se revelaram, abriram o coração ao público e não hesitaram. Deram tudo o que tinham no corpo e ainda mais.
Dançaram com corpo e alma, ao som da Beyonce, dos Walk The Moon, da Sia, dos Oh Wonder, da Adele e das Weather Girls. Abriram os seus corações ao som da Amália, do John Mayer, do João Villaret, da Edith Piaf e da Sara Tavares.
O palco era o mundo sem ninguem se não nós. O trabalho de um artista é tão recompensador. Estar alí e fazer o que se gosta, com ou sem risos, com ou sem choros, com ou sem aplausos. Ser nós. E só nós.
Os dedos nas guitarras, as bocas nos microfones, os joelhos no chão. São as melhores sensações partilhadas com as melhores pessoas. E as melhores pessoas não são o publico, oh não...
São eles, aqueles que assistiram ao trabalho que se colocou em cada detalhe, aqueles que se apoiaram mutuamente em todas as alturas.
E não haveria melhores pessoas para partilhar os aplausos. O culminar de tantos meses de trabalho.
"Não é o objetivo o que interessa mais, mas sim o caminho percorrido até lá chegar", e posso dizer que apesar de o objetivo final não poder ter corrido melhor, o caminho percorrido foi o melhor graças a este pessoal.

Obrigado e vos garanto que o caminho conjunto de cada um não acabou aqui, eles irão voltar a cruzar-se.









segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Clichês

O autocarro está parado no meio da rua por causa de um carro mal-estacionado.
O John Mayer faz um cover de "Bold as Love" de Jimi Hendrix ao meu ouvido. Por entre "bends", "hammer-ons", "pull-offs" e "blue notes". Ele para. Faz um discurso. Diz que precisa de amor. Oh John não precisamos todos? E acima de tudo, todos queremos. Queremos tanto que já é clichê.
Eu gosto de clichês. Clichês são clássicos. Jantares à luz das velas e beijos à chuva são clichês. O amor está tão batido que o próprio amor já é clichê.
Clichê é ligar a meio da noite para dizer "amo-te" ou para ter uma conversa porca. Clichê é por um cadeado num ponte. Clichê é escrever textos sobre amor. Paris é clichê.
E que bom que é ser clichê. O amor mede-se tanto pela destreza com que se desaperta o botão de uma camisa como pela quantidade de frases feitas, pirosas e sentidas que se dizem. Amor acontece quando somos o que impede alguém de precisar de mais.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

3, 2, 1... Descolagem...

Sempre escrevi tanto por necessidade como por capricho. E sempre escrevi sobre o que queria escrever.
Sobre mim, sobre ela, sobre o mundo, sobre o meu medo irracional de não ser um floco de neve mas ser apenas um "qualquer coisa", como tantos outros "quaisquer coisas" no mundo.
Mas sou um "Major Tom" (para citar o grande Bowie), que tanto se perde nos seus pensamentos e esperanças que acaba por se alienar do mundo. Eu perco me mais na minha mente que nos olhos dela.
Penso a mais de 200 000 km/h sem sair do lugar. Podia fazer da estratosfera casa. Flutuar no infinito, entre o brilho estranho das estrelas e os corpos celestiais. Mas serei sincero, vou preferir sempre os corpos terrestres...

*Terra chama André*

Ah sim, lá estava eu... perdido no universo sem sair da cadeira. Tenho universos dentro de mim. Sou tão grande e sou tanta coisa, sou explorador do irreal e imaginário. Sou páginas de livros por escrever e filmes por fazer. Sou fotografias futuras e melodias atonais. Sou tanta coisa.

*Consegues ouvir?*

Amanhã vou acordar e ser. Apenas ser. Vou viver todas as minhas emoções, vou amar até não poder mais. Amar é estar na estratosfera. Amanhã sou astronauta das sensações. Amanhã voo em direção às estrelas e amo-as. Amanhã não sou Major Tom para me alienar do mundo, amanhã sou um mundo.


*Preparar para aterrar... 5, 4, 3, 2, 1...*



sábado, 9 de janeiro de 2016

Eat, sleep, complain, repeat

As vezes só é preciso mudar. Sentir o peso da mudança. Por mais pequena que seja. A vida é melhor se tiver mudanças. Não. A vida é feita de mudanças. As mudanças fazem a vida valer a pena, mesmo quando só aparecem de tempo a tempo.
Adoro falar da monotonia da vida porque é um tema que me diz tanto. À 8 anos que me levanto às sete e meia da manhã, em dias de semana, almoço ao meio dia, lancho às cinco, janto às oito e durmo às onze. Como posso dizer que o amanhã é um mistério quando posso dizer o que vai acontecer amanhã, ao minuto.
É aborrecido repetir coisas como uma máquina industrial...

Brrrrrr... Beep... *sai produto*... Brrrrr... Beep... *sai produto*

E assim sucessivamente até à eternidade.


Gosto de mudanças e experimentar, o mundo é tão mais que as longas planicies do interior alentejano.
A chave do meu coração são novidades. Tenho necessidade de novos ares, tenho necessidade de novas coisas. Comidas, arte, personalidades.
Prefiro um sitio com personalidade a um sitio de luxo. Em vez de um restaurante com 3 estrelas Michelin e empregados zombie que digam "Bon appetit", prefiro um bar ranhoso à beira-mar, com música ao vivo e empregados com sentido de humor que digam "tá aqui a comida, caralho".

A frase mais comum do meu blog deve ser: quer(o) o mundo. Nunca isso foi mais verídico que agora.
Portanto espera por mim mundo, porque eu vou tomar-te de assalto, e quando o fizer, não vou deixar pedra por virar ou onda por ver.


Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.