segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Clichês

O autocarro está parado no meio da rua por causa de um carro mal-estacionado.
O John Mayer faz um cover de "Bold as Love" de Jimi Hendrix ao meu ouvido. Por entre "bends", "hammer-ons", "pull-offs" e "blue notes". Ele para. Faz um discurso. Diz que precisa de amor. Oh John não precisamos todos? E acima de tudo, todos queremos. Queremos tanto que já é clichê.
Eu gosto de clichês. Clichês são clássicos. Jantares à luz das velas e beijos à chuva são clichês. O amor está tão batido que o próprio amor já é clichê.
Clichê é ligar a meio da noite para dizer "amo-te" ou para ter uma conversa porca. Clichê é por um cadeado num ponte. Clichê é escrever textos sobre amor. Paris é clichê.
E que bom que é ser clichê. O amor mede-se tanto pela destreza com que se desaperta o botão de uma camisa como pela quantidade de frases feitas, pirosas e sentidas que se dizem. Amor acontece quando somos o que impede alguém de precisar de mais.


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About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.