sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Calma da Loucura



Vou escapando. Escapando da mente aos poucos. Mas já chego a essa parte.
Agora tenho a dizer que é desta. É desta que eu enlouqueço de vez.
O mundo desliza aos poucos lá fora, e eu escapo aos poucos cá dentro.
A capa do meu CD preferido está meio partida por causa do uso.
A música é um atrofiado de cordas e violinos e palavras sem sentido.         
                                                                                                             

                                                                                "fuckify everything"


 Os quadros e desenhos do meu quarto dizem me mais que as fotografias emolduradas.
As guitarras estão afinadas em afinações atonais.
As minhas notas estão em todo o lado. Durmo com o bloco debaixo da almofada.
Nunca se sabe o que vai aparecer em sonhos. 


Spoiler Alert: és sempre TU



Todo o processo de fugir da mente tem repercussões. Especialmente na imagem. Mudanças drásticas, no penteado, na roupa. Nota-se na sede de contacto e na sede de fazer. Fazer coisas. Todo o tipo de coisas que possa exteriorizar a fuga do que está cá dentro.





A mente precisa de escapar. Para longe, dentro de si própria.
Para o fundo de si própria. Escapar para as coisas sem sentido,
para as coisas que não necessitem muito trabalho da mente:

Falo do escapismo para a escrita, para os sonhos, para a tinta, para a música, para o amor e para tudo o que faz a mente deixar de funcionar. E faz trabalhar o coração.


E l e S  c H a M a M - l H e  A r T e . . . eu chamo-lhe fuga





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bloqueio

Tenho o meu computador ligado à minha frente na secretária e de fundo dá a música que escolhi para me "inspirar". Está quase tudo pronto. Tenho a temperatura adequada e tenho a certeza que ninguém me vai chatear.
Está tudo pronto para uma sessão de escrita. Se calhar é hoje! Se calhar é hoje que escrevo o meu magnum opus!
Tenho a cabeça a mil. Não escrevo nada de jeito à tanto tempo. Hoje vou fazer uma coisa de que fique mesmo orgulhoso.

É agora. Vamos a isto.

Sento-me e... nada...

Absolutamente nada!!!


Nada! Nem uma frase, um conceito, um inicio. Zero, bola!
Que frustrante!
É como tentar ganhar um concurso de pintar o quadro mais colorido, mas só ter tinta branca...

Então tento brincar com as palavras como se fossem comida num prato e eu sem fome. Criar frases articuladas, mas quanto mais escrevo menos sentido me faz.
Olho à minha volta à procura de ideias mas as coisas são só coisas. Não tem segundos significados nem várias camadas de innuendos. São pura e simplesmente coisas, tem a sua forma apenas e são uniformemente sem cor.

BAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!

Apetece-me gritar as paredes sem cor. É frustrante ter milhões de coisas presas dentro de ti à espera de sair, mas não ter maneira de as deitar cá para fora.

Podia deitar as coisas cá para fora simplesmente... dizer diretamente as coisas sem ter que se ler nas entrelinhas. Referir as coisas pelo nome, visto que as coisas no fundo são só coisas. Isso seria muito mais fácil.

Mas assim seria aborrecido. As pessoas gostam de desafios. Especialmente quem os cria para si próprios como eu que estou em frente ao computador a espera que algo se escreva por milagre ou "obra e graça do Espírito Santo".

Então escrevo, não escrevendo tudo aquilo em que pensei escrever. Escrevi no entanto, sobre o facto de querer escrever mas não conseguir escrever tudo aquilo que quis escrever.
Escrevi portanto sobre escrever.





Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.