quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tábuas

Poesia é a morte do não-artista, a folha o seu caixão.
Escrito foi o epitáfio daquilo que um dia foi um ser semi-vivo 
até ter sido morto pela poesia,
e reencarnado para a existência maior 
daqueles que contam os segundos da sua existência,
não pelos números mas pela essência.


O poeta nasce logo na primeira palavra pensada sem intuito 
senão a intuição do prazer e a chamada do dever intrínseco a criar algo novo.
O poeta constroi assim as tábuas do seu próprio caixão, 
deixando a cada palavra um pouco de si no seu túmulo.

Ou seja para o poeta existir tem que haver a morte, 
talvez a morte da inocência, mas o poeta nunca morre, 
anda no entanto numa valsa contínua com a morte, 
quase de lábios pegados, como uma amante.

(Entenda-se na morte metafórica tudo aquilo que mata (ou não), mas moi sempre.)

Sendo assim será um poeta algo maior? NÃO! 
Pois o que é o poeta senão mais que o homem, 
mas simultaneamente um homem e ainda menos que o homem? 
O poeta é, em última análise, só aquele que vive o mesmo mundo que o não-artista, 
mas que presta atenção, mesmo quando isso lhe custa, 
trágica e irreversívelmente, a sua inocência.




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ramblings and love bullshit about everyone and no one

I feel so fucking lonely. I love you so much. I hate writing in English.
Por alguma razão quando fico nervoso ou ansioso ou whatever, so consigo pensar em inglês. Ajuda-me a distanciar me de mim e a ter uma forma mais subjetiva e racional das coisas.
Se bem que não é muito racional porque racionalidade nunca foi o meu forte...

Sempre amei sem ponta, sem cerebro, sem limite. Amei com corpo e coração e o resto que se foda...
Mas o que se faz quando um coração habituado a amar fica preso um loop inexplicável durante um tempo interminável?
Ouvi dizer que se pode morrer de coração partido. Eu provavelmente vou morrer disso visto que tenho um coração tão sensível que não aguenta a solidão.

Quando falo em solidão tenho a noção do quão hipócrita estou a soar, quer dizer, passo os dias com pessoas que adoro ou amo até...

Mas não sei, quanto mais pessoas tenho à minha volta, mais quero enfiar a minha cabeça num buraco, não confesso o que me vai no coração a ninguém a não ser a este blog que, graças a Deus, ninguém lê.


Oh foda-se... Este é mais um texto de amor não é?


Penso em tanto e nada me sai, olho tanto e nada me agrada, amo te tanto, e...

Não sei o que fazer, não sei o que te dizer, e estou tão só... 
Vem. Vamos ser hipócritas juntos. Vamos odiar o mundo e amar mo nos um ao outro. Queixar mo nos dos problemas até sermos velhos, prometo fazer te massagens nas costas para acalmar os bicos de papagaio, e tu podes dar me as mãos para acalmar as artrites, sentados num alpendre num qualquer filme romântico, em frente ao pôr do sol e essas mariquices todas que eu adoro... 
Olharmos um para o outro até nos odiarmos também e depois nos apercebermos que nos amamos e assim apaixonar mo nos pela primeira vez todos os dias...


Até lá, amo-te 



P.S: Eu sei, eu sei... cheesy as fuck, mas eu tenho o direito a sonhar que um dia vou ter esse tipo de amor... Espero eu... E espero paciente...

P.S.2: -Entrou neste momento uma "boa nova" no meu quarto (para quem nao sabe é um tipo de borboleta), a minha avó costumava dizer que essas borboletas traziam boas noticias, esperemos que ela tenha razão.

P.S.3: Ly, até amanhã

05:07

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Insectos felizes

Pessoas, pessoas e mais pessoas. Passam nos seus carros, comboios e aviões. Alguns percorrem o mundo e outros apenas percorrem o caminho até ao trabalho. Vão em direção a sítios diferentes, mas sempre com o mesmo destino, a felicidade.

E agora pergunto-me, na história da humanidade, quantos é que chegaram lá?

Ainda estou para conhecer a pessoa que é completa, a pessoa que sabe, como um facto, que não precisa de mais nada na vida.
E este facto inegável da existência humana deixa me tão triste. Desiludido mesmo. O saber que por mais que faça, por mais que tenha, por mais que procure, nada me vai preencher o vazio daquilo que não tenho, daquilo que não fiz e daquilo que não procurei.

E isso leva-me a andar por aí, sentindo-me um insecto, como naquele livro do Kafka que me ficou a matutar na cabeça.
Muitos são insectos assim, perdem a esperança e andam por aí, desiludidos apenas. Vivem a vida, sabendo plenamente que nunca serão verdadeiramente felizes, que a felicidade em que muitos vivem é apenas uma ilusão criada por nós para nos sentirmos melhores com nós próprios, para darmos esperança à nossa vontade de viver de que um dia, talvez, possamos ser felizes.

Eu não me iludo, à muito tempo que não me sinto verdadeiramente "feliz".

Mas eu não serei insecto Kafkiano, em que a única solução é morrer para parar de ser um fardo.

Eu quero tentar, eu quero experimentar, pois se não chegarei à felicidade completa, quero estar o mais perto possível dela. Quero sentir a felicidade na ponta dos dedos, saborea-la na ponta da língua, olha lá nos olhos e dizer: "tu um dia vais ser minha". 

A felicidade é como uma mulher bonita que sabe que o é, não é "vim, vi e venci", tem que se conquistar com paciência. (Eu faço estas analogias com mulheres, mas não levem a sério porque eu estou solteiro Deus sabe à quanto tempo).

Resumindo quero desafiar Kafka, e dizer que se eu sou um insecto eu não vou morrer...

... Vou voar, hei de ter a minha metamorfose, hei de ser traça ou borboleta, hei de ser feliz ou morrer a tentar.





terça-feira, 23 de maio de 2017

Felicidade



24 de maio de 1998. Nasci. Era primavera. A minha mãe diz que estava a chover nesse dia. Acho que faz todo o sentido estar a chover.

Eu sempre gostei de chuva, acho-a de certa forma purificante. Se como quando estou à chuva todos os meus pecados deslizassem por mim como areia pelas mãos de uma criança.


Mas hoje não chove.



24 de Maio de 2017. Continua a ser primavera. Estão 30 graus lá fora e se o amanhã não existir, que o hoje seja um festão do caralho.

Porque o agora não é mais garantido que o amanhã e o ontem já passou. É assim, efémero, o momento que passa e não nos diz nada. Inútil, o momento que não nos deixa um sabor na boca e um peso no coração.

Portanto sentirei a energia do momento, de todos os luminosos prazeres intrínsecos a cada lugar único exposto à quarta dimensão.

Viverei com emoção todo o momento emotivo a que serei é exposto não deixando pingas no final do copo ou suave beijo por dar.

Dar-me-ei por completo ou não de todo. Abrir me hei a quem quiser, corpo e alma.

Fumar, beber, foder, gritar, beijar, sei lá, mas farei.

Eu farei. Hoje não quero deprimências. Hoje podia queixar-me mais uma vez de como não tenho um corpo para me aquecer a cama a noite, ou de como em última análise a vida passa e significa zero, mas não. Hoje não quero chorar. Hoje sou feliz, amanhã logo se vê.

Alguém me disse uma vez "faz da vida o teu palco, e para ti, um eterno aplauso".

"E se inventassemos o mar de volta?"

Porque no final, como alguém me disse uma vez: "até é uma boa vida, André Ginja."







"Please, remember me. Happily"





segunda-feira, 10 de abril de 2017

Espero amar

É difícil dizer "eu amo-te". São palavras fortes que significam muitas coisas: são assustadoras, mas catárticas; são fortes, mas libertadoras; são ásperas e no entanto, tão suaves.
Eu sempre fui sentimentalista, sempre acreditei que essas três palavras só deviam ser ditas com sentimento. Não o vulgar "eu amo-te", mas a súbita realização "... eu amo-te". Essa realização é das coisas mais intensas que se pode experienciar.
Pensando em todas as vezes que o disse com sentimento apercebo-me que no momento em que o disse, não houve intervalos, hesitações ou pausas, apenas uma frase dita que, tal como um sonho, não sei de onde veio, apenas caiu alí, instintivamente.
De todas as vezes em que me disseram essa frase, eu sabia, no fundo da minha mente, que tinha que fazer uma decisão numa fração de segundo, dizer de volta ou não dizer de volta. E de todas as vezes em que senti algo, não demorei uma fração de segundo a responder, pois quando me apercebi ja o tinha dito: "também te amo", e essa instantaneidade quase primitiva é algo que vou guardar sempre nas minhas memórias, porque senti algo maior que eu, algo que me levou a responder aquilo que queria dizer, mas sem eu me aperceber.
Sentia todos os significados da palavra amor e da expressão "amo-te", pois não significa só "quero-te", significa também "quero que estejas comigo e para mim". "quero que me queiras", "quero que me apoies" e muitos outros, mas é também uma promessa de reciprocidade de todas as coisas que se pretende da outra pessoa, ou seja, quando dizes amo-te, tens que estar disposto a dar tudo aquilo que esperas da outra pessoa. E era isso que era o amor.
Não sei porque é que os Foreigner disseram tantas vezes que queriam saber o que era o amor, quando a resposta estava mesmo à frente deles. A resposta era muito simples, o amor foi o que os influenciou a escrever a música, o amor é o que nos movia, que movia as montanhas e mantinha os rios em curso. É o que faz a minha vida valer a pena, amor. Amor que sinto por todas as pessoas que amo, que alguma vez amei e que algum dia vou amar. Essa forma de ver as coisas era algo que fazia de mim... mim (se isto fizer algum sentido).




"Tell them, I've been licking coconut skins, and we've been hanging out. Tell them, God just dropped by to forgive our sins, and relieve us our doubt"












Então olho para mim a ficar um pouco mais triste todos os dias, pois sinto que o "poeta" romântico que existia em mim está a morrer aos poucos ou hibernado. A minha vida cada vez menos se governa pelas emoções e sentimentos, as emoções são apenas uma forma do corpo reagir e proteger-se do ambiente que o rodeia e o amor é uma descarga de hormonas, dopamina e oxitocina no cérebro.
Estou a ficar mais e mais niilista a cada dia que passa, e isso assusta-me porque eu não estou habituado a não querer saber de nada. Toda a vida tive algo com que me preocupar e agora todas as pessoas que eu amava e todas as coisas que me preocupavam estão longe de mim.
Aos poucos estou a deixar de sentir. Eu não quero deixar de sentir. Eu não me sinto vivo se não sentir nada. Espero acordar depressa. Espero amar.

A
M
O

T
E









terça-feira, 7 de março de 2017

Epifania

Não tenho escrito ultimamente. Não sei porque. Simplesmente falta me tudo, assunto, tempo, vontade... Já o grande Saramago dizia:
“Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada a dizer”.

Então penso que estou a cometer um crime agora mesmo, porque eu estou simplesmente a deambular, estilo pseudo-Cesário Verde.
Mas estes momentos de deambulação são bons para olhar para mim próprio e pensar no que se vai passando na minha vida: SPOILER ALERT: não é muito.

Posso dizer que a minha vida ficou muito estranha desde as ultimas vezes em que escrevi aqui. Quase 180º.
Perdi toda a fé em tudo o que tinha fé. O meu hino é José Régio:
"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!"
Perdi a fé nos meus sonhos, no amor, em tudo que pensava inabalável e que me faziam quem eu sou.
Sinto-me perdido num mundo muito maior que eu e que nada me deve.
Eu tinha milhares de sonhos, e julgava que tinha a certeza que os ia cumprir. Os hospícios estão cheios de gente com certezas, e eu, já não as tenho. É talvez mais uma coisa que perdi.
Mantenho a minha inocência, e o meu amor pelas pessoas, mantenho a minha saudade e o meu amor pelos meus amigos e não muito mais.
Daqui a duas horas vou levantar-me para mais um dia avarento numa das cidades mais bonitas do mundo, vou ter aulas para um curso que aposto me vai dar mais perguntas que respostas no futuro.

Tudo para encontrar o objectivo máximo da existência humana, a felicidade. (Yey ja tenho tema para outro texto).

Por enquanto penso em Pessoa:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

E fico por aquí, sem conclusão certa, um poema sem moral, uma piada sem punchline, poderá ser talvez algo que te relacione um pouco mais comigo, talvez tenha mudado a minha vida sem o saber, ou a tua, talvez todo este texto tenha sido uma bela perda de tempo, do meu, do teu e quem o ler, mas foi bela. Talvez a beleza das coisas às vezes não esteja no significado que têm, mas sim no gosto que nos dá. Talvez eu comece a pensar nisso. Até lá, sonho sem certezas, cito Pessoa ao vento, e canto baixinho José Régio no metro, vou acabar de escrever a letra do Traçadinho naquela mesa lá na Universidade, deambularei.

Porque essa sim é a parte mais bonita da vida, quando as coisas que fazemos, por mais loucas, estúpidas ou estranhas que sejam, fazemos por gosto.


"Não sei por onde vou, Não sei para onde vou! Sei que não vou por aí!"



Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.