terça-feira, 7 de março de 2017

Epifania

Não tenho escrito ultimamente. Não sei porque. Simplesmente falta me tudo, assunto, tempo, vontade... Já o grande Saramago dizia:
“Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada a dizer”.

Então penso que estou a cometer um crime agora mesmo, porque eu estou simplesmente a deambular, estilo pseudo-Cesário Verde.
Mas estes momentos de deambulação são bons para olhar para mim próprio e pensar no que se vai passando na minha vida: SPOILER ALERT: não é muito.

Posso dizer que a minha vida ficou muito estranha desde as ultimas vezes em que escrevi aqui. Quase 180º.
Perdi toda a fé em tudo o que tinha fé. O meu hino é José Régio:
"Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!"
Perdi a fé nos meus sonhos, no amor, em tudo que pensava inabalável e que me faziam quem eu sou.
Sinto-me perdido num mundo muito maior que eu e que nada me deve.
Eu tinha milhares de sonhos, e julgava que tinha a certeza que os ia cumprir. Os hospícios estão cheios de gente com certezas, e eu, já não as tenho. É talvez mais uma coisa que perdi.
Mantenho a minha inocência, e o meu amor pelas pessoas, mantenho a minha saudade e o meu amor pelos meus amigos e não muito mais.
Daqui a duas horas vou levantar-me para mais um dia avarento numa das cidades mais bonitas do mundo, vou ter aulas para um curso que aposto me vai dar mais perguntas que respostas no futuro.

Tudo para encontrar o objectivo máximo da existência humana, a felicidade. (Yey ja tenho tema para outro texto).

Por enquanto penso em Pessoa:

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

E fico por aquí, sem conclusão certa, um poema sem moral, uma piada sem punchline, poderá ser talvez algo que te relacione um pouco mais comigo, talvez tenha mudado a minha vida sem o saber, ou a tua, talvez todo este texto tenha sido uma bela perda de tempo, do meu, do teu e quem o ler, mas foi bela. Talvez a beleza das coisas às vezes não esteja no significado que têm, mas sim no gosto que nos dá. Talvez eu comece a pensar nisso. Até lá, sonho sem certezas, cito Pessoa ao vento, e canto baixinho José Régio no metro, vou acabar de escrever a letra do Traçadinho naquela mesa lá na Universidade, deambularei.

Porque essa sim é a parte mais bonita da vida, quando as coisas que fazemos, por mais loucas, estúpidas ou estranhas que sejam, fazemos por gosto.


"Não sei por onde vou, Não sei para onde vou! Sei que não vou por aí!"



Com tecnologia do Blogger.

About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.