segunda-feira, 10 de abril de 2017

Espero amar

É difícil dizer "eu amo-te". São palavras fortes que significam muitas coisas: são assustadoras, mas catárticas; são fortes, mas libertadoras; são ásperas e no entanto, tão suaves.
Eu sempre fui sentimentalista, sempre acreditei que essas três palavras só deviam ser ditas com sentimento. Não o vulgar "eu amo-te", mas a súbita realização "... eu amo-te". Essa realização é das coisas mais intensas que se pode experienciar.
Pensando em todas as vezes que o disse com sentimento apercebo-me que no momento em que o disse, não houve intervalos, hesitações ou pausas, apenas uma frase dita que, tal como um sonho, não sei de onde veio, apenas caiu alí, instintivamente.
De todas as vezes em que me disseram essa frase, eu sabia, no fundo da minha mente, que tinha que fazer uma decisão numa fração de segundo, dizer de volta ou não dizer de volta. E de todas as vezes em que senti algo, não demorei uma fração de segundo a responder, pois quando me apercebi ja o tinha dito: "também te amo", e essa instantaneidade quase primitiva é algo que vou guardar sempre nas minhas memórias, porque senti algo maior que eu, algo que me levou a responder aquilo que queria dizer, mas sem eu me aperceber.
Sentia todos os significados da palavra amor e da expressão "amo-te", pois não significa só "quero-te", significa também "quero que estejas comigo e para mim". "quero que me queiras", "quero que me apoies" e muitos outros, mas é também uma promessa de reciprocidade de todas as coisas que se pretende da outra pessoa, ou seja, quando dizes amo-te, tens que estar disposto a dar tudo aquilo que esperas da outra pessoa. E era isso que era o amor.
Não sei porque é que os Foreigner disseram tantas vezes que queriam saber o que era o amor, quando a resposta estava mesmo à frente deles. A resposta era muito simples, o amor foi o que os influenciou a escrever a música, o amor é o que nos movia, que movia as montanhas e mantinha os rios em curso. É o que faz a minha vida valer a pena, amor. Amor que sinto por todas as pessoas que amo, que alguma vez amei e que algum dia vou amar. Essa forma de ver as coisas era algo que fazia de mim... mim (se isto fizer algum sentido).




"Tell them, I've been licking coconut skins, and we've been hanging out. Tell them, God just dropped by to forgive our sins, and relieve us our doubt"












Então olho para mim a ficar um pouco mais triste todos os dias, pois sinto que o "poeta" romântico que existia em mim está a morrer aos poucos ou hibernado. A minha vida cada vez menos se governa pelas emoções e sentimentos, as emoções são apenas uma forma do corpo reagir e proteger-se do ambiente que o rodeia e o amor é uma descarga de hormonas, dopamina e oxitocina no cérebro.
Estou a ficar mais e mais niilista a cada dia que passa, e isso assusta-me porque eu não estou habituado a não querer saber de nada. Toda a vida tive algo com que me preocupar e agora todas as pessoas que eu amava e todas as coisas que me preocupavam estão longe de mim.
Aos poucos estou a deixar de sentir. Eu não quero deixar de sentir. Eu não me sinto vivo se não sentir nada. Espero acordar depressa. Espero amar.

A
M
O

T
E









2 comentários:

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About me

Se, por algum lapso de consciência decidires ler mais alguma coisa que se siga a esta apresentação ficas já avisado que, das duas uma, ou vais deprimir ou vais dizer-me assim "fogo, és um triste", se pensares isso eu respondo-te, "não, eu sou feliz, tenho um pai e uma mãe que trabalham e uma irmã que é uma chata do caraças, tenho uma casa e comida na mesa todos os dias, por isso supostamente não tenho motivos para me queixar." Mas eu sempre fui do contra e dado a minha idade e teimosia arranjo sempre motivos para me queixar.